Afinal de contas, falou-se tanto em reforma ortográfica que cheguei a pensar em algo retumbante, que abalasse estruturas, que fizesse uma grande diferença. E somente nasceu um ratinho do propalado parto da montanha e um ratinho inofensivo e insignificante; quem sabia algo sabia, quem não sabia continua não sabendo. Vejamos cada caso:
O fim do trema - Até hoje continuam sem saber usar trema; é simples e ainda não aprenderam: só vai trema quando se pronuncia o u antes de e de i e vimos outro dia na “Tribuna do leitor” gente colocando trema em u que não se pronuncia de modo algum, até porque trata-se de nome próprio. Então está bem, vá lá que caia o trema só que como disse a dra. Léa, temos de explicar ao aluno quando é dengue e quando é agüente.
Eliminação dos acentos em ditongos - Já só gente culta usava; não vai fazer muita diferença, nem alterar em nada a comunicação nem empobrecer a língua, só vai facilitar para quem não gosta de estudar.
Acento circunflexo - Quando são duas letras iguais juntas é inútil mesmo, pois já se pronunciam as duas letras. Mas e como fica o caso dos verbos crer, dar, ler, e ver e o ter? Está bem que não precisa pôr acento quando os ee dobram, pois de qualquer jeito há de se saber que é a terceira pessoa do plural. Mas e quando chegar na terceira pessoa do plural do verbo ter?
Acento diferencial - Esse sempre achei inútil porque o próprio sentido tão distinto de preposição e verbo, qualquer pessoa medianamente alfabetizada logo percebe.
Hífens - Essa é uma reforma que me parece pura ranzinzisse de gramático, que em nada altera a estrutura da língua, mas também nada acrescenta ao conhecimento lingüístico.
Inclusão de letras - Gostei, por que não incluirmos em nosso alfabeto letras que usamos ou deveríamos saber usar?
Fim das letras mudas - Certo, já quase não usávamos mesmo.
Dupla acentuação - Certo também, deixe-os lá com seus acentos virados para lá ou para cá e cá fiquemos nós com os nossos.
Isolina Bresolin Vianna - professora, doutora em letras e escritora