10 de julho de 2026
Ser

Minha história: Francisco O. Cardoso Filho - Quito


| Tempo de leitura: 2 min

Um ano sem você! Perdi meu amor maior. Vazio e solidão. Quanto mais queridos e exemplares, maior sua presença, maior a saudade, maior a dor da saudade.

Aprendemos com você o que é ser verdadeiro, que sim é sim e não é não.

Passo até altas horas da noite em meu quarto, escrevendo passagens nossas (56 anos casados), nossos planos, sonhos não realizados, tolerância, amor, ciúmes, perdão. Não que os conflitos não tenham existido. Quem não erra?

Nossas músicas também são uma forma de lembrar ainda mais de você (disco de vinil), ficando triste, uma tristeza calma, dando-me a impressão de você junto a mim. Um modo de chorar baixinho, os carinhos teus.

Só nós dois sabemos como nos queríamos bem e mais ninguém. Momentos nossos. Sua única exigência era a minha presença constante ao seu lado.

Deus nos deu apenas um intervalo, dando-nos a ansiedade da espera de nosso reencontro. A vida não termina onde a morte aparece.

Eu adorava ser cortejada e amada por você. E você sentia isso. Queríamos a nossa história.

Dizia: ‘Você continua linda’, como nos nossos primeiros encontros. Já estávamos com mais de 80 anos; envelhecemos juntos. Um ano apenas, nossa diferença de idade.

Suas emoções e ilusões pareciam não sentir o passar dos meus anos, que foram compartilhados com minhas rugas, que se ocultavam em minha face.

Uma mulher na presença de um homem cheio de amor adora ser mulher.

Nos conhecemos em um baile, 1950. Amor à primeira vista. Foram seis meses de namoro, um mês de noivado, 56 anos casados. Choramos juntos, sonhamos juntos.

Nossos filhos, Patricia, Beth, Marinho, como você os amava! Talvez não tenham percebido a extensão de seu amor de pai. Vocês foram esperados e desejados.

Foi o melhor presente que Deus nos deu. Obrigada, meus filhos, pelo carinho e respeito que sempre nos dedicaram.

No momento, quero agradecer aos amigos e familiares todo o apoio sentimental que me deram em horas tão difíceis. Meus genros Afranio e Branco, minha nora Renata e meus queridos netos, que foram boa parte responsáveis pela minha aceitação da separação, pelo carinho e a presença constante em minha vida.

Obrigada, meus queridos Luciana, Flávio, Cesinha, Marco Antonio, Ricardo, Verena, Octaviano, Laura e bisneta Luana.

Tempos atrás minha neta Luciana me escreveu, me dando conforto e disse: ‘Vovó, um dia um dos seus netos irá escrever sua linda história de amor, entre você e Vô Quito’. Talvez, Verena. Me emocionei por mais esta prova de consolo.

Como posso esquecer um homem que me amou tanto?

Agradeço a Deus por tê-lo me emprestado por tantos anos.

Abraça-me,

Hilda

(Hilda Menezes Cardoso)