Às vésperas da comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, Bauru se vê às voltas com uma questão complexa e que incide diretamente sobre sua flora e sua fauna: como reduzir os impactos dos resíduos da construção civil, do esgoto não tratado jogado em seus mananciais e destinar corretamente o e-lixo, resultante dos equipamentos tecnológicos?
A resposta a essa questão é o tema deste segundo e último caderno sobre o futuro ambiental de Bauru. Na semana passada, a primeira edição da série mostrou as ações positivas adotadas por empresas, instituições, órgãos públicos, escolas e individualmente em relação ao lixo doméstico e à reciclagem.
Diferentemente do primeiro caderno, neste percebe-se que a única questão mais avançada envolve o tratamento de esgoto. Bauru finalmente parece caminhar a passos largos em direção à solução definitiva. Depois de muito tempo perdido, a cidade prepara a construção de duas Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), que irão atender a demanda local até que se atinja cerca de 500 mil moradores.
Mas, para tanto, foi preciso que a população e a sociedade organizada se unissem para criar um fundo de financiamento para o tratamento do esgoto na cidade. Desde 2006, todos os contribuintes do Departamento de Água e Esgoto (DAE) pagam 40% a mais do que consomem para a formação desse fundo.
José Clemente Resende, ex-presidente do DAE e agora novamente vereador, reconhece que as obras só foram possíveis graças à união de esforços. “A aprovação do FTE e, conseqüentemente, o andamento nas obras das ETEs só foram possível porque a sociedade organizada, entidades e a Câmara municipal disseram sim à idéia”, afirma.
De acordo com promotor do meio ambiente do município, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, é preciso saber que tratar o esgoto de Bauru é apenas uma das etapas que a cidade tem que cumprir para garantir um meio ambiente saudável no futuro, mas novos desafios batem à porta da cidade todo momento.
Se o tratamento do esgoto e, conseqüentemente, a despoluição do rio Bauru e seus afluentes está próxima, Bauru ainda não começou a discutir soluções concretas para dois outros problemas que estão presentes no cotidiano da cidade: resíduos da construção civil e e-lixo.
Aquecida, a construção civil em Bauru produz cerca de 600 toneladas de resíduos por dia. Boa parte disso é recolhida pelas cerca de 30 empresas de coleta instaladas na cidade, outra parte – cerca de 1/3 - é depositada clandestinamente em terrenos baldios nos bairros mais afastados e pobres da cidade.
Sem recursos para montar uma usina de reciclagem desse material na cidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) tem tomado medidas paliativas, criando bolsões de entulho para depositar esses resíduos. Sendo que, se reciclados, poderiam ser reutilizados pelo próprio município na pavimentação asfáltica das diversas ruas de terra.
A situação do e-lixo ou lixo eletrônico é ainda pior. A coleta de material é feita pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e depositado direto no aterro sanitário.
Não existe sequer um levantamento parcial do quanto Bauru produz de lixo eletrônico. Entidades, grupos ambientais e professores chamam a atenção para o problema e alertam para o perigo de contaminação por resíduos químicos do solo, ar e até da água do Aqüífero Guarani, que abastece 60% dos lares bauruenses.
Agir hoje para colher os frutos positivos no futuro ou agir agora para evitar maiores prejuízos. É assim que Bauru precisa pensar para que possa acordar para um futuro ambiental correto.
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600 toneladas por dia
Uma montanha diária de resíduos formada por argamassa, areia, cerâmicas, concreto, madeira, metais, papéis, plásticos, pedras, tijolos, tintas e outros materiais tornou-se um sério problema para Bauru. É que, diariamente, a cidade produz cerca 600 toneladas de resíduos via construção civil.
Para se ter idéia do impacto disso, seria preciso cerca de 160 caminhões para transportar todo esse conteúdo, de acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).
Grande parte desse montante é recolhida por meio das 18 empresas que integram a Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Astem). Todo o trabalho é fiscalizado por um funcionário da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).
“É claro que temos mais empresas em Bauru que trabalham nesse segmento e que não fazem parte da Astem, mas eles dão outra destinação para esse entulho fora de Bauru”, explica Sidney Rodrigues, do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da Semma.
A Semma afirma que todo o entulho recolhido pelas empresas associadas a Astem tem destino certo. São dois bolsões criados pela secretaria; um na avenida Comendador José da Silva Martha, próximo à linha férrea e o outro no Jardim Ivone, próximo à estrada que liga Bauru à Arealva.
“Mesmo assim, nós temos conhecimento de que esses resíduos são depositados em diversos lugares clandestinos nos bairros da cidade”, diz Rodrigues.
A solução, segundo o vereador Rodrigo Agostinho, seria a montagem de uma usina para reciclar esse material, que poderia ser aproveitado pelo próprio município na pavimentação de ruas avenidas da cidade e na fabricação de blocos para calçadas e tubos para galerias pluviais.
As prefeituras de Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Ribeirão Preto já implantaram usinas para a reciclagem desse resíduos. Na Capital mineira, por exemplo, foi montada até uma rede de coleta e recebimento de pequenos volumes, é encaminhado às duas usinas instaladas na cidade, uma no bairro Estoril e outra Pampulha. O entulho reciclado é beneficiado e reutilizado como subleito de pavimentos e no processamento de artefatos de concreto para a própria construção civil.