Quem mantém algum tipo de contato, mora próximo de depósitos inadequados de materiais eletrônicos ou mesmo consome água contaminada com produtos tóxicos presente na maioria dos equipamentos eletrônicos e baterias corre sério riscos de saúde. Chumbo, mercúrio e cádmio são alguns dos elementos químicos presentes nessas sucatas e constituem-se como verdadeiros vilões silenciosos da saúde, podendo desencadear diversas doenças graves nas pessoas.
A contaminação pode acontecer de forma acidental. De acordo com o professor de administração da Instituição Toledo de Ensino (ITE) Edmundo Muniz Chaves, quando um eletrônico é jogado em lixo comum e vai parar em um aterro sanitário, há grandes possibilidades de que os componentes tóxicos contaminem o solo e cheguem até os lençóis freáticos, afetando também a água que será consumida pelas pessoas.
Os danos causados pelos componentes tóxicos são diversos. Além de contaminar a água consumida pelas pessoas e que pode ser utilizada para irrigar verduras ou para dar de beber ao gado.
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Consumo
No passado, uma família ficava com uma geladeira ou TV por diversos anos em casa e nem pensava em trocá-la por uma melhor ou de modelo mais econômico. Hoje é difícil, mesmo nas classes mais baixas, encontrar pessoas com eletroeletrônicos antigos. A facilidade de crédito fez com que famílias de baixa renda tivessem acesso a aparelhos celulares, computadores, TV e outros eletrodomésticos de ponta.
O consumo desse tipo de bens em Bauru em média segue o ritmo do resto do País, mas mesmo assim o tempo de permanência de um aparelho eletrônico nos lares brasileiros caiu de 20 anos ou mais, para cinco ano ou menos.
Isso prova que os ciclos de substituição de produtos estão cada vez mais acelerados. A troca de aparelhos celulares, por exemplo, já é feita em menos de dois anos e de computadores nas empresas, de quatro anos, enquanto que nos lares chega a cinco.
Na intenção de ilustrar o tamanho do problema, os britânicos construíram um homem de lixo eletrônico com toda a sucata digital gerada por uma pessoa médio em sua vida, estimada em 3,3 toneladas. O resultado foi um boneco gigante, composto de eletrodomésticos, computadores, celulares, impressoras, videogames, entre outros descartes digitais.
Especialista observam que os próprios produtos são feitos para durar cada vez menos e que o consumidor não se opõe a essa idéia.
O psicólogo e professor da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) Ari Fernando Maia também foi convidado pelos organizadores do Projeto Olhar Verde para discutir a questão. “Existe uma cultura na formação das pessoas que os leva ao consumismo. Nossa relação com essa civilização é ambígua; ao mesmo tempo a reconhecemos como nosso maior bem e, no entanto, nossa ambigüidade fica evidente quando sujamos (consumimos) mais do que o necessário”, completa Maia.