09 de julho de 2026
RH & Tendências

Pressão no emprego afeta criatividade

Por Da Redação | Com informações da Secom
| Tempo de leitura: 4 min

No cenário competitivo das organizações, o trabalho sob pressão parece ser determinante para o sucesso de uma empresa. Estabelecer metas e cobrar resultados de maneira ponderada e equilibrada são estratégias que podem estimular o funcionário a ser mais criativo, mas, se a companhia extrapolar os limites dos seus colaboradores, o tiro pode sair pela culatra.

A afirmação é da psicóloga Virgínia Gomes de Caldas Nogueira, autora da dissertação de mestrado “Pressões no trabalho e a criatividade no contexto organizacional”. O estudo, orientado pela professora Maria de Fátima Bruno de Faria, foi defendido no Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade de Brasília (UnB).

Para o estudo, a pesquisadora avaliou o funcionamento de uma das maiores redes de supermercado do País, e identificou diferentes tipos de pressão que prejudicam a criatividade nas organizações. Os funcionários escolhidos pela pesquisadora eram chefes de seção, e gerenciavam áreas como padaria, frente de caixa, bazar e têxtil, ou seja, eram diretamente responsáveis pelos resultados de suas áreas e se reportavam todos os dias aos seus superiores.

De acordo com o levantamento da psicóloga, a pressão de tempo foi uma das mais comentadas pelos chefes de seção. Esse tipo de pressão está associado à sobrecarga de trabalho e, em alguns casos, essa sobrecarga de trabalho pode estar relacionada à falta de pessoal.

“As pessoas pareciam acreditar que o desenvolvimento tecnológico dos últimos 50 anos teria atenuado a carga de trabalho. Em contrapartida, as pessoas teriam mais tempo para sua família e lazer, mas não é esse o cenário que se concretiza nas organizações”, afirma a psicóloga, que é mestre em administração pela Universidade de Brasília (UnB) e tem pós-graduação em Gestão de Pessoas pela Fundação de Ensino Superior de Pernambuco (Fesp).

Os constantes cortes de pessoal e a crescente demanda por resultados sobrecarregam os poucos empregados que restam nas empresas, e eles precisam dar conta de um serviço que antigamente era realizado por quatro ou cinco pessoas. Dessa forma, as empresas conseguem reduzir seus custos operacionais e aumentar sua lucratividade. Por outro lado, prejudicam os resultados que poderiam alcançar com ações criativas, que num ambiente de pressão tem poucas condições de prosperar.

Submetidos a diversos tipos de pressão, as pessoas enfrentam maiores dificuldades para desenvolver estratégias criativas no ambiente de trabalho. “É difícil imaginar que não exista nas organizações o estímulo pela busca de metas e resultados. Mas as lideranças devem ter sensibilidade para identificar qual é o nível de tolerância de cada pessoa, e exatamente como esse estímulo pode se transformar na pressão que passa a prejudicar a criatividade, além de provocar doenças e sofrimento”, diz a pesquisadora.

A criatividade, ressalta Nogueira, contribui diretamente para o cumprimento das metas e resultados de uma organização. “A expressão ‘criatividade nas organizações’ remete à capacidade de gerar algo novo e de valor na empresa, algo que contribua para alcançar os objetivos daquela organização”, explica.

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Como criar

Mesmo em situações desfavoráveis, as pessoas ainda conseguem desenvolver estratégias para criar em ambientes caracterizados por diversos tipos de pressão. Segundo a psicóloga Virgínia Gomes de Caldas Nogueira, mestre pela Universidade de Brasília (UnB), o segmento varejo apresenta um cenário muito competitivo, por isso é preciso agir com criatividade para obter sucesso.

A psicóloga diz que, mesmo nesse contexto de muita pressão, as pessoas ainda conseguem criar e, assim, colaborar para as empresas atingirem suas metas e resultados. As estratégias podem partir da empresa ou do funcionário.

Os voluntários da pesquisa desenvolvida por Nogueira como sua dissertação de mestrado, “Pressões no trabalho e a criatividade no contexto organizacional”, afirmaram ser possível equacionar as pressões por meio de um bom planejamento pessoal de tarefas e de tempo. Outros sugeriram trocar idéias e experiências com colegas de serviço como forma de enfrentar a sobrecarga de trabalho e as demais pressões do ambiente.

Mas a empresa também tem um papel importante nesse aspecto, e deve desenvolver como estratégia de incentivo programas estruturados e de estímulo à criatividade. “O maior desafio de uma empresa não é vender, mas gerir as pessoas de maneira positiva, estimulando o potencial criativo de cada um que a integra”, diz Nogueira.

“Quando a pressão por resultados é atrelada a recompensas financeiras, por exemplo, ela se torna mais aceitável, mas é importante ressaltar: isso não a torna saudável”, reforça a psicóloga. Isso significa que, quando o funcionário recebe recompensas na mesma proporção em que produz além do combinado, ele tende a receber a pressão com menos resistência.

As mais simples demonstrações de reconhecimento podem servir como incentivo para que os funcionários melhorem seu desempenho e sua capacidade de tolerância à pressão. Contudo é preciso refletir: os resultados organizacionais favoráveis são obtidos a que custo? Se houvesse mais espaço dedicado à criatividade nas organizações os resultados seriam os mesmos? Seriam melhores ou piores? E a saúde do trabalhador, como ficaria?

Mais informações sobre a pesquisa podem ser obtidas com a psicóloga Virgínia Gomes de Caldas Nogueira pelo e-mail virginiacnogueira@uol.com.br.