10 de julho de 2026
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A Acrópole Sagrada: religião e cultura


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Quando criança ia à missa acompanhando minha fervorosa mãe católica. Adolescente, ia para cultos e festas na Igreja Batista com uma amiga. A diferença entre elas era grande, sendo a primeira um local triste que me dava medo, enquanto na segunda eu me sentia no céu. As pessoas cantavam e pareciam felizes, pois as festas eram alegres. Hoje vou quando posso a uma sinagoga. Voltei às minhas raízes, pois sou neta de um judeu austríaco. O rabino Nilton Bonder vive cantarolando. E se a cantora Fortuna Safra aparece no templo, eles cantam acompanhados de músicos na celebração do shabat. O público é convidado para dançar, pois shabat é uma comemoração alegre. Estou descrevendo esses fatos por acreditar que uma igreja, além dos ofícios religiosos, deve comportar divertimentos salutares. Sei que o catolicismo mudou para melhor, perdendo a antiga rigidez, pois às vezes vou à igreja com minha mãe.

Estou relembrando tais fatos ao pensar que nos primórdios de nossa civilização arte, ciência e religião estavam unidas. Todo saber era transmitido através dos sacerdotes.

Na Filosofia, a cultura é definida como o entrelaçamento de manifestações humanas que contrastam com a natureza. Cultura é informação. Hoje fazem parte dela as artes em geral, incluindo-se aí a música, a língua falada e escrita, os hábitos alimentares, as danças, as invenções, as formas de organização social e os ritos religiosos.

Religião parece não combinar com arte e ciência ou com o pensar objetivo da Filosofia, porém elas se aproximam singularmente. Grandes religiões começaram sendo concepções filosóficas como o monoteísmo do faraó Akhenathon. Em Israel, os profetas fizeram de Iavé o Deus único e universal portador da justiça absoluta. No cruzamento desses conceitos e do pensamento grego-latino apareceu o cristianismo, uma forte influência nas filosofias posteriores.

Na história da humanidade a busca pelo transcendental é um denominador comum. Seja qual for a concepção que se fazia da divindade, os homens criaram espaços dentro da tendência de tornar sagrados determinados locais como, por exemplo: Stonehense, Muro das Lamentações ou Santuário de Fátima.

A religião surgiu quando os homens balbuciaram os primeiros sons, Altamira está lá para não me deixar mentir. E se naquela época as cavernas eram capelas, na antiguidade grega os templos não serviam somente para práticas religiosas, neles discutiam-se os destinos do país. Aos nossos olhos contemporâneos templos e igrejas podem parecer somente manifestações artísticas. Mas, assim como na Grécia, igrejas são para reuniões, sejam elas religiosas ou seculares e podem ser comparadas aos nossos lares. Em ambos, existem a paz solitária e a alegria conjunta. Sendo esse o propósito de templos e igrejas, além de cultos e outros ofícios religiosos, eles podem e devem abrigar atividades culturais, pois essas reuniões são na verdade, momentos sagrados em um local santo.

A autora, Janira F. Bastos, é doutora em Estética e História da Arte; é articulista do JC