Brasília - Com ampla maioria na CPI dos Cartões Corporativos, a base aliada do governo quer aprovar hoje o relatório do deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) sem o pedido de indiciamento de autoridades e ministros envolvidos no uso irregular dos cartões no governo federal. O relator também não vai mencionar no texto a montagem do dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com os cartões corporativos.
A oposição acusa os governistas de encerrarem os trabalhos em clima de “pizza”, uma vez que o relator vai sugerir no texto final somente mudanças no uso dos cartões por autoridades do governo.
Diante da sua decisão de não sugerir punições aos ministros Orlando Silva (Esportes), Altemir Gregolin (Pesca) e à ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), a estratégia de parlamentares do DEM e PSDB será apresentar votos em separado ao texto de Sérgio.
Na prática, os votos em separado têm apenas caráter político uma vez que o texto de Sérgio será aprovado pela maioria governista na comissão. O Palácio do Planalto deflagrou estratégia para encerrar a CPI esta semana com o objetivo de tirar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) do foco das denúncias do caso dossiê.
Apesar de inocentar os ministros, o relator prometeu indicar no texto que houve uso abusivo dos cartões corporativos e das chamadas contas B - por isso decidiu sugerir mudanças no pagamento de suprimentos de fundos do governo. Segundo o relator, o texto terá o caráter propositivo.
Sérgio vai enviar o relatório à gráfica do Senado a tempo de ser distribuído hoje para os integrantes da comissão. Os votos em separado da oposição serão apresentados após a leitura de Sérgio.
A presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), pode marcar uma nova data para a leitura dos votos em separado, ou permitir que ocorram no mesmo dia - como articula a base aliada.
Tropa de choque
Após o desgaste à ministra Dilma provocado pelo caso dossiê, os governistas avaliam que a CPI vai terminar os trabalhos sem provocar danos à imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A Folha Online apurou que a avaliação do governo é positiva em relação à CPI devido ao empenho de parlamentares da base aliada escalados para integrarem a comissão.