O fim trágico após dias de buscas ao menino Eliélcio Barrado, 5 anos, encontrado morto no último dia 17 de maio em um cafezal, da região de Avaré, remexeu em feridas de familiares de pessoas desaparecidas há muito tempo na região de Bauru. Isso porque na região dez pessoas estão desaparecidas.
Eliécio sumiu quando acompanhava sua mãe no trabalho em um cafezal, em uma propriedade do município de Sarutaiá. O corpo foi encontrado após dias seguidos de buscas, mas a polícia ainda não sabe quem matou o menino.
O programa Caminho de Volta, desenvolvido pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior-4 (Deinter-4) registrou 240 casos de pessoas desaparecidas entre maio de 2005 até abril deste ano na região de Bauru. Desse total, 222 apenas no município de Bauru. Os outros 18 ocorreram na região.
Dados do programa revelam que dos 23 casos registrados na área da Delegacia Seccional de Bauru neste ano, oito adolescentes continuavam desaparecidos, além de mais duas crianças (antes do lançamento do programa).
“É registrada a ocorrência policial e muitas vezes o município não comunica do reaparecimento da pessoa. Desses oito pendentes, eu acho que há casos que a pessoa reapareceu e falta a unidade comunicar o reaparecimento”, lembra o delegado do Deinter-4 Antônio Almeida Prado.
Na área toda do Deinter-4, entre maio de 2005 até abril deste ano, foram registrados 643 casos de desaparecimentos- nas regiões de Assis, Bauru, Jaú, Lins, Marília, Ourinhos e Tupã.
Desse total, 400 são do sexo feminino e 243 do sexo masculino. Das seccionais do Deinter-4, as regiões de Bauru e Marília foram as que mais tiveram casos de desaparecimentos no período.
De acordo com Prado, a maioria dos desaparecidos é adolescente na faixa dos 11 a 15 anos - 399 registros no período. Já na faixa de idade entre 16 a 18 anos, foram registrados 196 casos de 2005 até abril deste ano. E nove crianças com idade até 5 anos e 39 com idade entre 6 a 10 anos.
Um dos casos de desaparecimento de grande repercussão na região de Bauru e que ainda não foi solucionado é o do menino Josiel Dias Cardoso.
Há cerca de cinco anos, em 2003, Josiel (na época com 2 anos de idade) desapareceu no distrito de Brasília Paulista, em Piratininga. Até agora não foi localizado. No dia do desaparecimento, a família de Josiel, que mora em Bauru, estava a passeio na casa dos avós paternos do menino em Brasília Paulista. A criança sumiu por volta das 12h30.
Na ocasião em que se deu o desaparecimento, estava ocorrendo um torneio de futebol de campo no distrito. Cerca de 500 pessoas estavam no local. Uma das características físicas do menino, de pele morena, é uma pinta escura no lado esquerdo do pescoço.
O destino incerto do menino mudou a vida da família. A mãe de Josiel, Leandra Maria Dias Cardoso, ainda vive angustiada na expectativa de reencontrá-lo.
“Espero a qualquer momento encontrá-lo ele. Nós vivemos de esperança e ficamos na espera e na expectativa de que a qualquer hora vamos ter notícias que encontraram ele. Porque vivo ele está, tenho certeza”, diz Leandra, que passou mais um Dia das Mães sem o filho.
Há cerca de nove meses ela teve uma filha, a pequena Leidiane, que trouxe alegria à família. No entanto, a saudade do filho permanece.
“Ela teve outra menina, mas nada cobre o lugar do Josiel. Ela chora muito por causa dele”, comenta Nanci Aparecida dos Santos, mãe de Leandra.
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Repercussão
O desaparecimento do garoto Josiel teve repercussão na época, o que levou a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru a assumir o caso. De acordo com o delegado Abel Cortez, titular DIG, tudo o que era possível foi feito na ocasião para tentar solucionar o caso.
“Este caso aconteceu há bastante tempo. Foi feito, na época, até dois anos depois, todo o esforço possível. A polícia focou nisso, mas não conseguiu esclarecer”, comenta Cortez, lembrando que o caso ficou aberto aguardando provas. “Foi acionado e mobilizado o País inteiro, mas não tivemos retorno”, lamenta.