11 de julho de 2026
Esportes

Pedro Scocuglia tenta profissionalização aos 16 anos

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 4 min

Considerado por alguns professores como um “diamante a ser lapidado”, Pedro Scocuglia faz parte da nova remessa de tenistas formados recentemente pelo Bauru Tênis Clube. Com 16 anos de idade, o bauruense já disputa torneios futures (semi-profissionais) na expectativa de transpor a barreira do amadorismo juvenil para a profissionalização do adulto. Scocuglia é parte da geração de crianças influenciadas pela “febre” Guga do final dos anos 90, que hoje busca um lugar no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP).

Em entrevista ao Jornal da Cidade, o tenista falou sobre as dificuldades do esporte e seus objetivos na carreira. No ano passado, Pedro Scocuglia foi o número dois do Brasil, mas esse ano mudou sua rotina, aumentou a carga de treinos e passou participar de campeonatos visando o objetivo maior. Veja a seguir os principais trechos da entrevista com o garoto. O tenista tem o patrocínio de NB Sports, Farah Automóveis e Colégio Fênix.

JC - Porque começou a jogar tênis?

Pedro Scocuglia - Foi vendo o Guga jogar e pelo apoio do meu pai, que sempre praticou esporte. Ele me falava para jogar alguma coisa e me interessei pelo tênis. Acabei indo para o clube e gostei. Me interessei mesmo pelo tênis quando o Guga ganhou pela primeira vez em Roland Garros. Comecei a jogar tênis com oito anos.

JC - Treina há quanto tempo?

Scocuglia - Oito anos.

JC - Qual seu objetivo no esporte?

Scocuglia – O importante é o ranking, porque facilita para ter patrocínio. Mas tenho dado mais importância para entrar em torneios profissionais, por isso devo ter caído bem no ranking. Joguei alguns torneios profissionais para tentar entrar na chave principal de torneios futures. Esse ano tenho me dedicado aos treinamentos mais fortes e torneios semi-profissionais.

JC – Qual foi sua melhor colocação no ranking brasileiro?

Scocuglia – Cheguei a ficar em segundo do Brasil no ano passado. Ganhei cinco campeonatos brasileiros simples e duplas na categoria 16 anos. Ganhei um campeonato sul-americano e o Torneio Credicard. E fui campeão de duplas da Copa São Paulo. Esse ano estou tentando outro desafio, que é me tornar profissional.

JC - Qual a maior dificuldade nessa fase de tentar a profissionalização?

Scocuglia - O Brasil tem jogadores muito bons no juvenil. Só que o País não tem estrutura para o tênis. Muitos têm de sair daqui para treinar tênis em outro países, e poucos dão certo. A maioria não consegue fazer essa transição do juvenil para o profissional.

JC - O que você acha que precisa ter no Brasil para mudar isso?

Scocuglia - Falta estrutura. Precisava ter mais centros de treinamento de tênis. No Brasil já tem alguns muito bons, mas são muito caros e não tem uma escola para o garoto poder estudar. Já recebi convite para treinar em algumas academias fora de Bauru, mas não pude ir porque teria que parar os estudos. Mas falta centro de treinamento gratuito com uma conciliação com a escola.

JC – Você tem planos traçados dentro do tênis?

Scocuglia – Quero tentar ser profissional aqui. Mas, se não der, vou para os Estados Unidos fazer uma universidade e tentar ser profissional por lá, além de me formar em alguma coisa.

JC - O que significa ser tenista para você?

Scocuglia – É ter um nível competitivo muito forte e conseguir enfrentar seu adversário de igual para igual. O tênis é um esporte diferenciado, muito difícil e tem que treinar muito.

JC - Qual seu ídolo no tênis?

Scocuglia – O Guga, com certeza. Mas atualmente o Federer.

JC - Quem você considera o melhor jogador de todos os tempos?

Scocuglia – Acho que o Federer ainda não bateu o (Pete) Sampras. Mas o que acho que foi melhor é o André Agassi, que ganhou os quatro Grand Slams, no saibro, na rápida, na grama e o Master Series.

JC - Você acha que o tênis hoje já é massificado no País o suficiente a ponto de deixar de ser um esporte de elite? Se não, o que falta para isso?

Scocuglia – Acho que graças ao Guga sim. Antes não. O Brasil já teve jogadores bons, mas o tênis não era tão popular antes do Guga. O brasileiro começou a falar mais de tênis e as televisões começaram a transmitir mais os jogos. Tudo isso graças ao Guga.

JC - Quais fatos curiosos ou engraçados já passou durante uma partida?

Scocuglia – De quando eu era pequeno tem vários jogos engraçados. Ficava duas horas na quadra jogando um torneio que não tinha muita importância. Dava “balão”, jogava a bola para cima. É muito engraçado lembrar disso hoje. Eu ficava nervoso antes de jogar, ficava tenso. Agora já não sinto mais isso.

JC – Você pretende jogar tênis para o resto de sua vida?

Scocuglia – Com certeza. Mesmo se não for profissional, o tênis é uma coisa que vou levar para o resto da minha vida. Penso em estar velhinho, juntar as raquetes e chamar os amigos para jogar tênis.

JC - Qual o conselho que você daria para quem está começando ou pretende um dia jogar tênis?

Scocuglia – Tem que gostar muito. Não adianta fazer por obrigação. O tênis é você gostar, chegar antes, olhar o pessoal jogar, tentar sempre melhorar e se aquecer. Mas vale muito a pena porque é um esporte muito legal e te dá um preparo físico bom.