09 de julho de 2026
Nacional

Fox estréia ‘9 MM: São Paulo’

Por Lucas Neves | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo tem, a partir de hoje, sua versão de “Nova York contra o Crime”, série policial que renovou o gênero na TV americana em meados da década de 90 ao aliar um olhar detido sobre os dissabores profissionais e pessoais de policiais à batida investigação criminal.

É “9 MM: São Paulo”, primeira produção 100% nacional da Fox, que acompanha a rotina de quatro investigadores e um delegado numa divisão de homicídios paulistana. Na equipe, há desde um agente amargo que flerta com a ilegalidade até um neófito deslumbrado com a adrenalina da profissão. O primeiro episódio será exibido às 22h.

Na história, o grupo apura as circunstâncias da morte de uma ex-participante de reality show de “quase famosos”. O empresário dela se mostra suspeitosamente insensível ao anúncio do óbito. Em outra frente, corre a investigação sobre o suposto assassinato de uma mulher por seu marido. Aliciamento de menores e redes de prostituição mantidas por “bacanas” trarão reviravoltas ao caso.

Chama a atenção o bom acabamento técnico e a apresentação competente dos protagonistas, sem prejuízo ao curso do enredo policial. Há problemas pontuais de escalação no elenco secundário e certos excessos no esforço de conferir gravidade a uma ou outra cena. Mas vale ficar de olho no desenvolvimento das tramas pessoais do veterano Horácio (Norival Rizzo) e de Luísa, a “caxias” da equipe.

A primeira temporada de “9 MM” terá quatro episódios (gravados em alta definição), que serão mostrados também nos mercados da Fox na América Latina. Outros nove capítulos estão em pré-produção. A exibição da segunda leva está prevista para o início de 2009.

No processo de desenvolvimento de roteiros para a série, cerca de 40 policiais foram entrevistados, segundo o co-criador e produtor Roberto d’Avila. O delegado da divisão de prevenção e educação do Departamento de Investigações sobre Narcóticos, Marçal Honda, foi um deles.

Ele conta ter falado sobre “o lado técnico da coisa, mas também o humano, os conflitos internos”. “Temos de passar a imagem de anjos da guarda, protetores. Porém, por trás da armadura, há um ser humano suscetível a sofrimentos.”

Na entrevista que concedeu à equipe de “9 MM” e na consultoria dada na elaboração dos quatro primeiros roteiros, ele diz que se preocupou em que “o público não entendesse como padrão aquilo que foge à legalidade, como um policial usuário de drogas ou que faz justiça com as próprias mãos”. Vez por outra, quem faz justiça a seu modo na série é Horácio, que não vê problema em “pegar um sujeito pelo colarinho”, segundo D’Avila.

Seria a encarnação televisiva do capitão Nascimento de “Tropa de Elite”? “Não, porque não faz isso de modo contumaz. É muito mais um lobo solitário, um cara que tem seu próprio método”, diz o criador. “Há uma diferença clara entre ‘Tropa’ e a série: o filme trata da potência. Nós, da impotência, por falta de instrumentos de trabalho ou algum outro fator.”