10 de julho de 2026
Política

Nações Norte dispara embate eleitoral

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 2 min

A inclusão da construção da avenida Nações Unidas Norte no pacote de concessão da rodovia Marechal Rondon (SP 300), conforme divulgou o JC no último domingo, estimulou o embate político na sessão de ontem da Câmara Municipal de Bauru e disparou a temporada eleitoral em plenário. Ninguém colocou em discussão a importância da obra para o município, mas o tema derivou para a avaliação da participação das gestões dos governos estadual, dos tucanos, e federal, dos petistas, em relação a Bauru.

Dez dos quinze vereadores comentaram o assunto. De um lado, Marcelo Borges (PSDB), João Parreira (PSDB), Arildo Lima Júnior (PP), Paulo Madureira (PP) e José Clemente Rezende (DEM) destacaram que o governo do PSDB constantemente transfere recursos para Bauru, ao contrário do governo federal. Esse grupo, não por coincidência, integra a aliança que tem como pré-candidato a prefeito neste ano o empresário Caio Coube.

Mas posição oposta foi defendida por José Carlos de Souza Pereira Batata (PT), Rodrigo Agostinho (PMDB), Futaro Sato (PMDB), Antonio Carlos Garmes (PTB) e Majô Jandreice (PC do B). Estes, de outro lado, estão na Frente Democrática que apóia o ambientalista Agostinho. A exceção ainda é Garmes, que poderá se unir à Frente.

O primeiro a se manifestar na sessão foi Agostinho. Ele buscou vincular sua candidatura à política do governo federal, e falou sobre a visita ao município ontem do senador Aloizio Mercadante, onde este abordou a possibilidade de o aeroporto Moussa Tobias ser utilizado como Zona de Processamento de Exportação.

Mas o embate começou para valer quando Lima ressaltou a participação do governo estadual na transferência de recursos à cidade, ao contrário da União. “Fazemos críticas para o bem do município. O governo federal fica com 63% de toda a carga tributária, mas o retorno não é o esperado”, criticou.

Mas tanto Agostinho quanto Batata lembraram que o ministro das Cidades, Márcio Fortes, é filiado ao PP, da mesma legenda de Lima. “Pede para o ministro do seu partido mandar recursos”, ironizou o petista e acrescentou que Lima, por estar no primeiro mandato, “desconhecia algumas questões”.

Rapidamente, Batata fez chegar à imprensa cópia de um e-mail em que constam investimentos do governo federal na cidade, como R$ 1,4 milhão do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 11,9 milhões empenhados em convênios e outros. Lima questionou os dados apresentados dizendo que se tratavam de repasses e não investimentos diretos. Batata respondeu que o parlamentar estava nervoso e “precisando de óculos” pelo fato dos recursos serem destinados diretamente a Bauru.

Com o objetivo de justificar a escassez de investimentos do governo federal, Majô culpou as restrições do município com o Cadastro Único de Exigências para Transferências Voluntárias (CAUC) e com o Certificado de Regularidade Previdenciária (CRP). Madureira rebateu a colega ao dizer que a União poderia realizar ações diretas em Bauru, sem passar pela prefeitura, mas preferiu injetar recursos em cidades petistas do Estado, como Araraquara e São Carlos.