Depois da liberação do zagueiro Gilmak e do meia Piva, o atacante Jessé deve ser o próximo a deixar o Noroeste. Porém, desta vez, não será por opção da comissão técnica. Um problema burocrático pode forçar o jogador, um dos reforços para a Série C do Campeonato Brasileiro, a não permanecer no Complexo Alfredo de Castilho. Seria a terceira baixa dos 10 contratados para a Terceirona.
O caso é que a transferência de Jessé para o Norusca esbarra em determinação que proíbe mais de duas mudanças de clubes de estados diferentes no mesmo ano. Antes de chegar a Bauru, Jessé deixou o Atlético Ibirama-SC para atuar no Americano de Campos-RJ, de onde saiu para defender o River, do Piauí, seu último clube antes do Norusca, por quatro jogos. Ou seja, estes quatro jogos podem separá-lo do Norusca. O acerto com o time bauruense seria o terceiro de Jessé em 2008.
O contrato de Jessé permanece no Noroeste e só será registrado com a autorização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A diretoria noroestina aguarda um posicionamento oficial da CBF para poder inscrever o jogador, sem o perigo de sofrer algum tipo de punição futuramente por escalar um atleta de forma irregular. O Norusca poderia perder pontos, o que comprometeria todo o projeto do acesso à Série B.
No entanto, o supervisor do Noroeste, Valdemir Curti, não se ilude com a possibilidade de uma autorização da CBF e admite que Jessé tem 99,9% de chances de deixar o clube bauruense. “Só vou registrar o jogador se a CBF der a liberação. Aí o nome dele aparece no BID (Boletim Informativo Diário) como livre para jogar”, explica. A expectativa é de que até o final desta semana haja uma definição.
Curti afirmou que o Noroeste já esta ciente da situação de Jessé há mais de uma semana. O supervisor soube do entrave quando foi fazer a inscrição do atacante e teve acesso à ficha do jogador no site da CBF. Curti isenta o atleta de qualquer responsabilidade pelo ocorrido. “Não culpo o jogador, isso é coisa de empresário que não pensa no jogador, só pensa em dinheiro”, declara.
Assim, Jessé depende de autorização da CBF para poder defender o Noroeste, onde treina há mais de 20 dias. Ontem, era evidente a decepção do atacante com o caso (leia mais nesta página). Caso não consiga a liberação, Jessé terá de optar por jogar no futebol piauiense ou por um clube do Exterior. A partir de agora, o jogador passará a fazer um trabalho diferenciado do restante do elenco para evitar qualquer possibilidade de contusão.
Com a iminente saída de Jessé, o técnico Luís Carlos já admite a possibilidade da chegada de jogadores para suprir a vaga deixada pelo atacante. “O Jessé é um jogador de força, velocidade, está acostumado com a Série C, pois já trabalhou em outras equipes. Vamos analisar com calma. Vamos precisar de um ou dois jogadores de área para mudar um esquema de jogo. Então, tem que ter algumas opções neste aspecto”, disse.
Treino
Com ou sem Jessé, a preparação do Noroeste segue. Ontem, o técnico Luís Carlos Martins comandou treinamento dividido em duas partes, no gramado do Alfredão. Na primeira, houve um treino tático, com inversão de posicionamento entre os jogadores. A seguir, o treinador orientou um coletivo. Durante toda a atividade, Martins parou o treino várias vezes para passar instruções e pedir variações de jogadas.
O técnico explicou o motivo da inversão de posições dos jogadores durante o treino. “Dependendo das circunstâncias de resultados em um jogo, é preciso fugir das suas características. Lógico que tem um limite, não dá para o Borebi (atacante) jogar de zagueiro”, exemplificou.
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Frustrado, atacante torce por final feliz
Principal interessado e prejudicado no impasse sobre sua permanência ou não em Bauru, o atacante Jessé não escondia a preocupação e a frustração com a grande possibilidade de não permanecer no Noroeste. O jogador já tem duas transferências de clubes de estados diferentes em 2008, limite da atual determinação.
Caso Jessé não permaneça no Alfredão, restam-lhe duas saídas: jogar no futebol do Piauí ou buscar uma transferência para o Exterior. O atacante deixa claro que a opção pelo futebol piauiense não faz parte de seus planos e espera conseguir um clube fora do Brasil, caso não fique no Norusca.
Enquanto não há uma definição, Jessé procura focar suas atenções nos treinos. “Estou deixando para o meu procurador (Anibal Lucas) resolver com a diretoria do Noroeste e trabalhando forte, esperando o problema se resolver”, comenta.
Para aumentar seu descontentamento, Jessé revelou que, na época de sua transferência para o River-PI, já havia alertado seu procurador sobre as conseqüências de uma possível terceira mudança de clube. Porém, Lucas não lhe teria dado ouvidos.
“Já tinha comentando com ele. Ele errou, faz parte da vida. Vou resolver com ele, não fui eu que errei. Mas não pode errar, estava trabalhando forte, com meu pensamento voltado para o Noroeste. O clube está dando boas condições de trabalho e o objetivo é subir para a Série B, fora o Paulista no ano que vem. Espero que tudo possa dar certo”, torce.