Um século atrás chegavam os primeiros imigrantes japoneses atraídos pela oferta de trabalho e ganhos oferecidos pelo país. Foram verdadeiros heróis, pois se dispuseram a enfrentar o desconhecido numa sofrida viagem marítima de mais de cinquenta dias, que muitos não chegaram a completar.
Vieram para um lugar de costumes, cultura, língua e alimentação totalmente diferentes e principalmente desconhecidos, já que os meios de comunicação e informações eram precários. A maioria tinha planos de retornar à pátria, mas poucos conseguiram realizar tal projeto. Mas os que aqui ficaram transmitiram aos descendentes um legado de luta, dedicação e respeito, uma forma de reconhecimento pelo que no Brasil receberam.
Homenageando a colônia japonesa, o doutor mestre sr. Irineu Azevedo Bastos publicou no extinto “Diário de Bauru”, na edição do dia 09 de novembro de l997, seu artigo “Particularidades do Japão Bauruense”, relatando as atividades da colônia em Bauru. Nesse trabalho, citava, entre vários imigrantes, o meu pai, no trecho que tomo a liberdade de reproduzir: “... alguns hoje anônimos pioneiros podem ser relembrados, graças a uma conversa informal que tive com Giro Ishikawa recentemente. Contou-me o ex-vereador que o primeiro caminhão de aluguel de nipônico em Bauru pertenceu a Jusako Matsumoto.”
Meu pai chegou ao Brasil em l912, no segundo grupo de imigrantes. Tinha 13 anos. Minha mãe, Sueo, chegou em l913, com 11 anos, acompanhando a irmã, na terceira onda migratória. No Brasil se conheceram e se casaram. Após anos de trabalho na lavoura, em 1925 fixaram-se em Bauru e logo o primeiro caminhão foi comprado. Participavam ativamente das atividades da colônia, inclusive atuando na construção do prédio do Clube Cultural Nipo-Brasileiro e na implantação da igreja Budista na avenida Castelo Branco.
A todos os heróicos pioneiros anônimos, particularmente aqueles citados no artigo do dr. Irineu Azevedo Bastos, nossa admiração, respeito e reconhecimento.
Kunio Matsumoto