08 de julho de 2026
Geral

Maternidade é fiscalizada pelo CRM

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O Conselho Regional de Medicina (CRM) também recebeu o documento elaborado por médicos da Maternidade Santa Izabel, no qual afirmam que a entidade possa por crise estrutural e de funcionários. Por essa razão, anteontem, fiscalizou a entidade. O relatório do trabalho ainda não foi divulgado, mas o conselheiro Carlos Alberto Monte Gobbo adianta que problemas foram constatados.

“Muitos equipamentos não receberam manutenção e estão avariados. A maternidade conta com quantidade insuficiente de leitos totalmente monitorizados, com respirador, na unidade de terapia intensiva (UTI). O CRM tem obrigação por lei de fiscalizar os locais onde os médicos trabalham. O CRM não é um órgão corporativo, mas quer assegurar o exercício legal da medicina em benefício do cidadão”, diz ele.

Além de confirmar a dificuldade material, que em parte deve ser sanada em dois meses conforme promessa da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), mantenedora da maternidade, ao Ministério Público, Gobbo informa que os acordos salariais entre médicos e a associação não é formal. Depois, é descumprido. “Pagam 80% do valor. Depois, 20% no mês seguinte. As pessoas têm conta para pagar, têm uma vida para gerir. É óbvio que entre o certo e duvidoso, vão optar pelo certo, pelo melhor”, explica.

A situação se agrava porque existem poucos profissionais na área e muitas opções de trabalho. São pelo menos seis UTIs pediátricas na cidade, sem contar os pronto-atendimentos. Como a remuneração é muito ruim na maternidade, os plantões são preteridos. Tanto que já chegou acontecer do pediatra não conseguir passá-lo porque não havia médico para sucedê-lo.

“Aí é muito fácil dizer que vai trazer gente de Botucatu para cá. Se trouxerem residente e não vier supervisionado pelo docente, ele não poderá trabalhar aqui. O CRM não vai aceitar que o residente, em programa de treinamento, simplesmente venha para cá ser mão-de-obra barata. As pessoas precisam resolver seus problemas aqui, com o pessoal daqui”, finaliza.