10 de julho de 2026
Nacional

Obras de Picasso, Segall e Di Cavalcanti são roubadas em São Paulo

Por Da Redação | Com Folhapress, AE e Reuters
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Duas obras do pintor espanhol Pablo Picasso (1881 - 1973), uma gravura do lituano naturalizado brasileiro Lasar Segall (1891-1957) e outro quadro do brasileiro Di Cavalcanti (1897 - 1976) foram roubados ontem (12), na sede da Estação Pinacoteca, onde acontecem exposições do acervo da Pinacoteca de São Paulo.

Segundo as primeiras informações, a ação foi cometida por dois homens, um deles armado, que entraram sem máscara. As imagens foram gravadas pelo circuito interno de tevê e a polícia pretende fazer um retrato falado dos ladrões. Três delegados e dez equipes da Polícia Civil acompanham as investigações no local.

Segundo a polícia, as obras levadas foram: “Mulheres na Janela” (Di Cavalcanti, 1926), “O Pintor e seu Modelo” (Picasso, 1963), “Minotauro”, “Bebedouro e Mulheres” (Picasso, 1933) e a gravura “Casal” (Lasar Segall) . Os quatro trabalhos têm um valor aproximado de R$ 1 milhão, segundo a secretaria. As obras pertencem à Fundação José e Paulina Nemirovsky e estavam expostas no segundo andar da Estação Pinacoteca.

A Estação Pinacoteca é um local de exposições da cidade de São Paulo, mantida pelo Governo do Estado de São Paulo. Fica localizada no centro da cidade, no Largo General Osório, no bairro da Luz, ao lado da Sala São Paulo e da Estação Júlio Prestes.

O prédio foi inaugurado em 1914. Antes de se tornar esse espaço cultural, o prédio pertenceu à administração da Estrada de Ferro Sorocabana. Durante o período da ditadura militar, o local se tornou sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), para onde eram mandados os presos políticos. Segundo informações da polícia, os homens entraram com uma sacola, pegaram as obras e, quando abordados por um segurança, mostraram que estavam armados. Depois disso, eles saíram. A polícia suspeita que pelo menos um criminoso tenha dado cobertura aos outros dois, na saída do local.

Os três criminosos que levaram as quatro obras aproveitaram a presença de alunos de uma escola municipal para realizar o roubo. Segundo funcionárias que estavam no local na hora do crime, os homens entraram no local como se fossem visitantes comuns. Em seguida, acessaram um elevador que dá acesso a uma área restrita onde ficam as obras que não estão em exposição. “Eles aproveitaram a bagunça que a criançada estava fazendo”, diz a Wenna Adriana Moura, 18 anos, que trabalha na limpeza.

No local - chamado de área de reserva - uma funcionária foi ameaçada com uma arma na cabeça. Segundo os funcionários, os homens demonstraram saber exatamente quais obras queriam. Enquanto um dos homens permanecia com a arma na cabeça da atendente, outros vasculhavam as telas não expostas.

Segundo a encarregada de limpeza Ivone Soares da Silva, 44 anos, os outros funcionários estavam almoçando quando a atendente desceu chorando relatando o roubo. Ao menos dois seguranças estavam na frente do prédio na hora do crime.

Este é o segundo furto de obras de Picasso no Brasil em seis meses. Em dezembro passado, uma pintura do artista espanhol foi furtada do Museu de Arte de São Paulo (Masp), “Retrato de Suzanne Bloch”, junto com outra de Portinari, “O Lavrador de Café”. As obras foram recuperadas em janeiro, quando a polícia anunciou a prisão de dois suspeitos.