08 de julho de 2026
Bairros

Fogos e balões: todo cuidado é pouco

Por Marcelo de Souza | Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 4 min

Basta chegar junho para começarem a “pipocar” os fogos de artifício, bombinhas, biribinhas e outros artefatos. Tradicionalmente usados nas festas juninas, os fogos dão brilho e beleza às comemorações, mas representam perigo para todos, principalmente para as crianças. Nesta época do ano cresce o perigo de incêndios, queimaduras e diversos ferimentos, até mesmo com risco de morte, provocados por fogos de artifício, balões, e outras ações semelhantes.

O tenente Edson Winckler Filho, comandante dos postos do Corpo de Bombeiros de Bauru alerta que, para os bombeiros, esses artefatos não deveriam nem ser comercializados. “O Corpo de Bombeiros condena a venda e o uso desses materiais”, afirmou.

Não é para menos. Afinal esse tipo de material pode causar prejuízos não só a quem compra, mas para outras pessoas, que sequer têm relação com esse produto. Em abril do ano passado, uma explosão ocorrida em uma loja de fogos no Parque Vista Alegre deixou duas pessoas feridas e provocou estragos num raio de 50 metros do local.

O maior perigo ainda é deixar crianças manusearem fogos e bombinhas. No início do mês, alunos, professores e funcionários da Emef Ivan Engler de Almeida, no Parque dos Sabiás, tomaram um susto, quando uma bombinha foi solta no banheiro masculino, possivelmente por um dos alunos da própria escola. O mesmo ocorreu na escola Ernesto Monte. Por sorte ninguém se feriu.

É para evitar esse tipo de situação que o tenente Winckler alerta para que os pais não permitam que seus filhos adquiram fogos de artifício. “Acidentes graves podem acontecer com crianças e adultos que transportam e utilizam fogos de artifício de forma irregular”, frisou. Ele lembra que esses artefatos não podem ser transportados em locais fechados. É muito comum crianças carregarem bombinhas nos bolsos, mas elas podem se inflamar e explodir junto ao corpo.

Outra orientação do Corpo de Bombeiros é evitar que crianças tenham acesso a caixas de fósforos e isqueiros. “A criança já tem atração natural ao fogo, permitir que elas consigam pegar fósforos e isqueiros podem gerar conseqüências danosas”, salientou. “O perigo dos fogos de artifício é indiscutível. Se uma bombinha explodir nas mãos de uma criança, ou próximo de seus olhos, poderá causar mutilação ou cegueira, além de surdez, queimaduras e até fraturas”, destacou.

Balões

Comuns nesta época do ano, os balões dão um espetáculo de beleza para quem os vê no céu. No entanto, eles são um risco porque podem causar incêndio. A recomendação do Corpo de Bombeiros é categórica: não soltar balões em hipótese alguma.

Em primeiro lugar, por que é ilegal. Soltar balões é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9065 - fevereiro de 1998). Fabricar, vender ou transportá-los também, e a pena vai de 1 a 3 anos de detenção e/ou multas cumulativas. No caso dos balões, essas proibições legais existem porque muitas tragédias já ocorreram em decorrência deles. Eles são verdadeiras ameaças à vida e ao meio ambiente, pois podem cair em florestas, matas, residências ou indústrias, acarretando diversos prejuízos. Além disso, oferecem riscos à aviação, principalmente às pequenas aeronaves.

O tenente Winckler Filho alerta. “O balão pode causar muitos estragos, por isso é proibido. O balão pode cair aceso em florestas, residências e indústrias, produzindo grandes prejuízos. Nós podemos completar dizendo que a brincadeira de alguns não pode ser a tristeza de muitos”, concluiu.

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Queimaduras

Se a taxa de ocupação da unidade de queimados do Hospital Estadual (HE) de Bauru mantiver a média do ano passado nesta época de festa junina, os pais devem ficar preocupados. Com 16 leitos – quatro voltados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) –, a instituição registrou ocupação de 94%, quando o normal é de 88%.

Coordenadora do setor, a cirurgiã plástica Cristiane Rocha orienta restringir o uso de fogos pelas crianças. “Devido à nossa cultura popular, no entanto, isso não ocorre. O ideal é que as crianças somente usem os fogos indicados para cada faixa etária”, afirma. Brincadeiras tradicionais e aparentemente sem risco, como pular fogueira e andar na brasa, também ocasionam queimaduras graves.

Em Bauru, vítimas de queimaduras são encaminhadas, primeiramente, para o Pronto-Socorro Central. Os pacientes em estado grave são transferidos para o HE. Segundo o diretor do setor de Urgência e Emergência do PS, José Roberto Berber, as partes do corpo mais atingidas em acidentes com fogos de artifício são as mãos e o rosto.

“O impacto da explosão pode ocasionar perda de tecido e até de parte das mãos, além de queimaduras na face e lesões no tímpano”, conclui.