08 de julho de 2026
Nacional

Documentário revê Bertolt Brecht

Folhapress
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Quarenta e oito obras, 2.334 poemas, dramaturgo mais encenado no mundo depois de Shakespeare, quatro filhos e um sem-fim de mulheres e amantes: o breve currículo é do alemão Bertolt Brecht (1898-1956), personagem central de um documentário que o Eurochannel exibe amanhã, às 16h30.

Pai do teatro social (aquele comprometido com o estudo das relações de poder e dominação e com o estímulo à ação transformadora), o poeta e teatrólogo “mostrava e esclarecia coisas que as pessoas não queriam escutar”, como diz uma de suas filhas ao programa.

Na infância, em Augsburgo, o futuro ateu nutria fascinação pela Bíblia, “um livro incomparavelmente belo, forte, mas mau”. Mais tarde, sua primeira obra seria homônima do livro sagrado cristão. Na juventude, gregário que só, vivia metido em grupos de interesse (a discutir de “Hamlet” a Zaratustra) e jornais estudantis.

Na vida adulta, já em Munique, chama a atenção com a peça “Tambores na Noite”, em que anuncia uma virada: o teatro agora deixa-se ver por dentro. Na seqüência, viriam filmes, mais teatro antiburguês e (auto)comparações com Friedrich Schiller (1759-1805) e Johann Goethe (1749-1832). A veia engajada (que se traduz em ácida crítica do capitalismo) fica clara a partir de “Santa Joana dos Matadouros”, escrita na esteira da crise de 29.