08 de julho de 2026
Articulistas

Amazônia cobiçada


| Tempo de leitura: 2 min

Num comentário recente escrevi que os brasileiros devem se preparar para tirar conseqüências da afirmação do presidente Lula diante da pergunta que lhe fizeram no exterior “afinal a quem pertence a Amazônia ?” : a Amazônia disse ele, “pertence aos brasileiros, à todos os brasileiros” . A ênfase a “todos” tem sua razão de ser num momento em que vamos tomando conhecimento que cidadãos brasileiros, nascidos em reservas indígenas na Amazônia, preferencialmente em áreas de fronteira, estão sendo doutrinados no exterior para que, num dado momento, se organizem para exigir o status de “nação independente”. Com a promessa que receberiam de imediato o reconhecimento da ONU com base na recente “declaração dos direitos dos povos indígenas”... Parece óbvio que o Congresso brasileiro rejeitará tal declaração, mas é bom colocar as barbas de molho...

O movimento que sugiro principalmente aos jovens brasileiros, que são a maioria dos nossos internautas, é que não deixem o campo livre à ação das misteriosas ONGs que dão respaldo à tese a internacionalização da Amazônia, a pretexto de defender seu ecosistema, porque “os brasileiros não são capazes de preservá-lo”. O primeiro passo é incursionar na internet e levantar um pouco a história dessas organizações , catalogar seus argumentos e com um pouco de paciência ir descobrindo suas origens e até mesmo de onde se originam seus recursos que parecem inesgotáveis.

Depois, começar a por a prova a veracidade das informações e dos argumentos de que se valem essas organizações. Se o que elas afirmam têm respaldo no conhecimento da geografia amazônica (a maioria demonstra uma abissal ignorância da realidade física ) ou da forma como vivem , não apenas as comunidades indígenas, mas os demais 25 milhões de brasileiros que hoje ela abriga.

É preciso deixar claro que “reserva indígena” é território brasileiro dentro do qual as Forças Armadas devem poder mover-se livremente, já que a elas cabe defender a sua integridade. Até porque o Exército brasileiro tem uma tradição de respeito e colaboração com as comunidades indígenas, muito anterior ao suspeito “altruísmo” dessas ONGs financiadas com capital externo e algumas até sustentadas com recursos brasileiros.

Proteger os interesses dos índios brasileiros está longe de reconhecê-los como “estrangeiros” em nosso país ou como parte de algum organismo extra-territorial. A proteção deve envolver, inclusive, o pleno reconhecimento do direito de cada índio brasileiro de escolher livremente o grau e a natureza da aculturação que melhor lhe convier. É importante mostrar a falsidade dessa hipótese ridícula defendida pelas ONGs e por falsos antropólogos engajados, que o uso da eletricidade ou da água tratada numa aldeia constituem uma “violência contra a preservação da cultura indígena”.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA/USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento - contatodelfimnetto@terra.com.br