09 de julho de 2026
Articulistas

A crise na educação


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A crise na Educação Brasileira é muito mais grave e profunda do que na Saúde. Quando comparada com o resto do mundo, temos a pior Educação, segundo o teste de Pisa. Dos nossos alunos do ensino fundamental público, 4% tem um aproveitamento adequado e mais de 50% estão em situação crítica ou muito crítica, mais de 20% deles (no 3º e 4º anos) ainda não sabem, ler nem escrever. É uma Educação extremamente elitista, nossos jovens pobres não conseguem vagas nas Universidades públicas e quando conseguem nos primeiros anos. O ensino não pode continuar desta maneira

Como resolver esta questão?

Em primeiro lugar, dando prioridade à Educação na prática e não só no discurso, como a maioria dos governos faz. Em segundo lugar, instituir definitiva e globalmente o ensino em tempo integral, no ciclo fundamental. Porque é preciso dar um pouco a mais para os que tem menos, para que todos tenham as mesmas oportunidades: essa é a essência dos processo de ensino e aprendizagem.

E, finalmente, valorizar o professor de diversas formas: do ponto de vista salarial, social e melhorando suas condições de trabalho. Isso aconteceu na Coréia e na Finlândia, que hoje têm a melhor educação no mundo e, com isso, geram riquezas para o país. Hoje a riqueza de um país depende dos produtos de valor agregado, que dependem da ciência e tecnologia, que dependem da Educação.

O Brasil não tem um desenvolvimento sustentável porque não aposta concretamente na Educação, não adianta termos “commodities”, preços do milho, feijão soja e arroz, petróleo e álcool subindo, porque é passageiro. O que pode dar um desenvolvimento substancial ao Brasil é uma Educação de qualidade.

O autor, José Aristodemo Pinotti, é deputado federal - DEM -, professor emérito da USP e da Unicamp. Foi secretário da Educação e da Saúde do Estado de São Paulo, presidente da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia e reitor da Unicamp