10 de julho de 2026
Política

Agostinho prega campanha ‘limpa’

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Rodrigo Agostinho (PMDB) e Estela Almagro (PT) foram apresentados na Câmara Municipal de Bauru, ontem, como candidatos à disputa pelo Palácio das Cerejeiras nas eleições de 5 de outubro. Os candidatos representam a aliança entre PMDB, PT, PC do B, PSB e PR na chapa majoritária. Em tom festivo, como cabe bem a partidos considerados de esquerda, o clima da convenção foi de otimismo de quem vai para a “guerra”.

Agostinho ponderou que o entusiasmo de todas as lideranças é normal, principalmente após o processo que fez algumas pessoas recuarem da pré-candidatura para apoiar nomes de outras legendas. “Temos partidos aqui que estão na luta há muito tempo e são partidos que têm muita coisa engasgada na garganta. É natural que os discursos sejam fortes. Tanto eu quanto a Estela acreditamos que é possível fazer uma campanha vitoriosa, mas, antes de tudo, uma campanha limpa”, avisa. A coordenação da campanha política será do médico Fernando Monti, presidente do diretório municipal de Bauru do PR.

Além da oficialização das candidatura Rodrigo-Estela, a novidade é o nome adotado pela aliança, que será “Bauru de Todos” e não “Frente Democrática”, utilizada até sexta-feira, quando se designava o acordo partidário. Agostinho explica que a estratégia de campanha será discutir com a população de onde sairão os recursos para concretizar o plano de governo, que está em fase de elaboração. Numa rápida fala, o petista Roque Ferreira lembrou, em tom de cobrança, que é preciso explicitar para o eleitorado bauruense a fonte dos recursos para atender os anseios de investimento na cidade, principalmente em infra-estrutura urbana.

Estela avalia que a população está amadurecida para esta campanha, o que pode dificultar a quem imaginar que poderá enganar o eleitor. “Nossa opção aqui é pelo ser humano, é tentar resolver os problemas com racionalidade sem deixar de lado o componente emocional, instituindo mecanismos de participação popular. Ninguém tem solução mágica para resolver, mesmo que mostre isso na TV da forma mais bonita e com o melhor dos marqueteiros, da forma mais colorida possível”, salienta.

Agostinho defende uma campanha que mostre que os candidatos irão buscar os recursos, ou seja, atrair investimentos privados e uma maior participação dos governos estadual e federal. “O governo federal deve muito a Bauru. A cidade tem ficado, durante os últimos 20 anos, distante do governo federal. Onde houver recursos, iremos atrás. Queremos recuperar a auto-estima da população.”

Para Agostinho, ter uma mulher como vice agrega valor à pretensão de ocupar o Palácio das Cerejeiras em 2009. “Mostra respeito pela questão de gênero. A política tem demonstrado que a população quer ver a mulher se envolvendo cada vez mais. A mulher tem inúmeros valores que são mais fortes e que são essenciais numa administração”, salienta.

Diferenças

Exatamente o que levou a esse arco de alianças foi o mote aproveitado por todos os presidentes das legendas coligadas: Alex Gasparini (PMDB), Geraldo Bérgamo (PC do B), Fernando Monti (PR) e Sandro Bussola (PT). Todos, de alguma maneira, tentaram passar para a militância reunida na Câmara que a fase de disputas estaria superada. Porém, projetos políticos foram adiados para se costurar uma ampla aliança em que a maioria das legendas tinham candidatura própria.

“Arestas internas para aparar, nós aparamos. Todas as divididas que existiam, nós superamos. Se havia um outro lado dentro do PT descontente, nós o trouxemos para o nosso lado. Se tinha algum outro grupo nessa mesma forma, o que é normal, a gente conseguiu trazer de volta. Eu estava aqui junto com o Alex Gasparini. A Estela estava aqui com o Roque”, frisa Agostinho.

Ele diz não temer a possibilidade dos adversários políticos cobrarem dele a experiência administrativa. E frisa que, de maneira alguma, tem vergonha de ter ocupado a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) no atual governo, pasta que assumiu no início de 2007 e deixou no início de abril, devido à necessidade de desincompatibilização prevista na legislação eleitoral. “Não tenho vergonha nenhuma em dizer que fui secretário”, ressalta.

Rodrigo Agostinho tem 30 anos, é formado em direito e está na Câmara Municipal desde 2000. Na origem, Agostinho vem da militância ambiental, em que foi presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente de Bauru, com apenas 18 anos. Também representou o Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) no Panamá e Africa do Sul.

Ao mencionar sua trajetória, o candidato manda um recado aos adversários que devem usar o fato da inexperiência do peemedebista para ocupar o cargo de prefeito de uma cidade com tantos problemas e mais de 350 mil habitantes. “Não tenho medo nenhum de responder a esse tipo de crítica. Que bom que sou jovem. Tenho vontade, tenho coragem e já participei de quatro eleições.”

Estela Almagro está com 36 anos e diz dispensar rótulos de feminista, integrante apenas do movimento negro, unicamente petista ou unicamente esquerdista.