Embora a quantidade de estudos científicos para investigar o código genético humano seja vasto, pouco se sabe ainda sobre as formas de alterar seu funcionamento. No entanto, o mapeamento genético em larga escala poderá ser útil, dentro de alguns anos, para ajudar os cientistas a entender como diferentes grupos de pacientes reagem a certos medicamentos ou alimentos, levando-se em consideração suas características genéticas.
São essas particularidades que determinam, por exemplo, por que uma pessoa apresenta reação adversa a um remédio e outra não. Da mesma forma, esse é o principal motivo pelo qual duas pessoas com a mesma dieta tenham compleições físicas opostas: uma gorda e a outra magra. “A obesidade está ligada ao sedentarismo e aos hábitos alimentares, mas é certo que existe uma questão genética associada”, analisa a nutricionista Sylvia Tosi.
Tanto é que um novo ramo da ciência, chamado nutrigenômica, tem se dedicado a investigar como os genes interagem com o padrão alimentar das pessoas. Por enquanto, as pesquisas estão em estágio inicial e tanto os cientistas quanto as empresas alimentícias ainda têm um longo caminho até compreender em detalhes a complexa relação entre nutrientes e genoma.
A intenção é utilizar as informações contidas no DNA de cada indivíduo para desenvolver dietas personalizadas e, assim, reduzir de maneira significativa as chances de manifestação de doenças graves ligadas aos genes, como o câncer e problemas cardiovasculares.
A mesma tendência já pode ser observada nas áreas de pesquisa e desenvolvimento das empresas do ramo de medicamentos. Através do estudo dos genes e seu funcionamento, os laboratórios farmacêuticos apostam em um novo modelo de negócio: a farmacogenômica, que visa descobrir e estabelecer como as variações genéticas individuais influenciam na eficácia de determinados medicamentos, conforme explica o professor André Sampaio Pupo, chefe do Departamento de Farmacologia do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.
Em vista dessa constatação, a idéia seria criar drogas voltadas para pequenas porções de mercado que apresentem características genéticas específicas. É o caso do Herceptin, do laboratório Roche, dirigido a uma variedade genética do câncer de mama que atinge cerca de 30% das mulheres que desenvolvem a doença.
Mesmo com um mercado limitado, a droga fatura US$ 5 bilhões por ano e tornou-se, em pouco tempo, um dos mais bem sucedidos medicamentos da nova geração.
“Mas a existência desses medicamentos personalizados sempre dependerá do número de pessoas que ela irá atender. Se o grupo for mínimo, a indústria farmacêutica não irá se interessar, porque o custo para o desenvolvimento de novas drogas ainda é muito caro”, destaca Pupo.