A caminho da casa da avó em Monte Alegre (a 200 quilômetros de Bauru), o boxeador olímpico Laudelino Barros, mais conhecido por Lino Barros, passou por Bauru ontem visitando a academia de seu amigo Ricardo Ferreira. O esportista, de 31 anos e ganhador de várias medalhas em jogos panamericanos, se prepara para uma luta que será realizada em setembro, no Mato Grosso, contra o lutador Félix Cora Júnior, valendo pontos para o ranking mundial.
De família humilde, Lino trabalhou como cortador de cana e, aos 18 anos, partiu para São Paulo, onde seguiu carreira no boxe amador e mais tarde na categoria profissional. Na sua trajetória como esportista, Lino já viajou para 11 países e conheceu personalidades famosas do mundo do boxe, entre elas Mike Tyson e Evander Holyfield.
Nos últimos dois anos, Lino passou por um período difícil em sua vida pessoal e realizou apenas duas lutas. A última foi em Berlim, onde participou de uma eliminatória para o título mundial. Ele enfrentou Daniel Gregor, segundo do mundo. “Em 2006 e 2007, fiquei mal com problemas de saúde na família. Morte de parentes. Perdi meu pai e uma sobrinha de 12 anos”, conta. “Lutei duas vezes neste período só para manter a forma”, completa. Agora o boxeador se prepara para enfrentar Félix Cora Júnior, em setembro, no Mato Grosso, luta que ele encara como a possibilidade de voltar a pontuar no ranking mundial. “Tenho luta marcada contra Félix Cora Júnior, um lutador de primeira linha do EUA. Vou para a Flórida em agosto para treinar”, revela.
Como amador, Lino chegou a fazer todo o circuito olímpico. Também foi campeão sulamericano no Equador, vice nos Jogos Panamericanos em 1999, no Canadá. Participou dos Jogos Olímpicos de Sidney e, em 2001, passou para a categoria profissional. “Na minha trajetória como amador viajei para 11 países, incluindo Rússia e França. Em Cuba, fiquei oito meses treinando. Lá é o berço do boxe amador”, comenta.
Na categoria profissional, Lino foi campeão brasileiro há três anos e atua no eixo Brasil-EUA. “Nunca fui desafiado por nenhum do ranking brasileiro”, revela. Lino não esconde sua admiração pelo boxe profissional dos EUA e critica a falta de investimentos no esporte no Brasil. “Gosto muito dos lutadores americanos”, diz. “Os EUA sabem lutar o boxe profissional, porque tem dinheiro e é rentável e respeitado. No Brasil, não tem dinheiro e não tem concorrência”, lamenta.
Apoio a novatos
Depois de participar de várias competições e ganhar espaço no mundo do boxe, Lino Barros ainda encontra tempo e disposição para ajudar os atletas que estão começando a carreira. Indicado por ele, o professor bauruense Anderson Clayton, o Baiano, da Academia Ricardo Ferreira, vai participar de um curso de aprimoramento de oito dias em Cabreúva, na próxima semana.
Segundo Barros, ele terá aulas com dois professores cubanos e um brasileiro em uma chácara na cidade de Cabreúva. “Este curso é para treinadores que estão iniciando na carreira. Achei oportuno e falei para o Ricardo levar o Anderson”, explica Lino. Baiano, que dá aulas desde o início deste ano na academia, comemora a oportunidade. “Já venho treinando há muito tempo o boxe. Estou gostando muito deste espaço e o Lino está cada dia mais nos ajudando e dando força”, diz.
Lino considera o boxe amador praticado em Cuba e na Rússia como os melhores do mundo. Ele próprio teve a oportunidade de conhecer de perto o trabalho dos treinadores cubanos entre 1998 e 2000. “A linha de ensinamento deles é a melhor do mundo. Ele (Baiano) vai ter oportunidade de estar trabalhando com treinadores credenciados, em Cabreúva. São três professores cubanos e um brasileiro”, conclui.