09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mais uma opinião


| Tempo de leitura: 3 min

Nunca presenciei uma operação de guerra, mas Holywood me faz pensar quão fadada ao fracasso uma destas estaria se contasse com apenas duas viaturas da Polícia Militar de um Estado que direto aparece nos noticiários como “mal equipada”, e “não atuante contra o crime”. Alias, talvez por coincidência esse Estado fica num País que tem uma mídia estranha, com jornalistas que juram ser imparciais e não espetaculosos, que vivem criticando outros colegas, apresentadores (desses noticiários que passam nos finais de tarde) dizendo que são sensacionalistas.

Na tribuna, do dia 18 de junho de 2008, na opinião de um leitor tive informações sobre o acontecimento no Centro da cidade, quando crianças foram abordadas por policiais roubando uma loja. Diante da opinião impressa naquele texto, e somente desta, pois não ouvi mais niguém sobre o ocorrido, gostaria de também expressar minha opinião por não concordar com algumas considerações. É a cavalaria que sempre faz o policiamento do Calçadão, o cúmulo seria ver a ronda escolar ou os bombeiros atendendo a esse chamado. Será quem alguém pensou em perguntar pra algum dos policiais o porquê de estarem pedindo para que os curiosos se afastassem além do evitar constrangimentos? Como se o brasileiro nem fosse curioso e nem gostasse de um “babado forte” pra ter o que contar pro vizinho e mostrar como ele é bem mais informado que o outro, não é mesmo?

Como se espantar por policiais estarem armados, se estar armado faz parte do oficio deles? Alguém realmente acha que um ser humano saudável gosta de andar armado? Acha que eles gostam de pensar em situações nas quais teriam que usar essa arma? Ainda fico pensando sobre a descrição do acontecimento na carta do leitor, que compara crianças de aproximadamente 4 – 7 anos, longe dos pais, à tarde, no centro comercial da cidade, certamente fora da escola (que é onde deveriam estar), roubando seja lá o que fosse e não apenas objetos de certo valor à “um fato aparentemente não grave”. Para mim isso sim é que é o absurdo! Depois da leitura, alimento minha opinião que não só a impunidade, mas diversos outros problemas sociais do Brasil estão intimamente relacionados com a falta de bom senso da mídia em fazer mal-juízo do leitor como se este não fosse capaz de formar a sua opinião individual sobre os fatos e preferisse absorver algo pronto e tendencioso.

É mais fácil escrever sobre um acontecimento e como este nos choca do que fazer qualquer coisa para impedir que crianças como aquelas se envolvam com o crime. É mais fácil alimentar o sistema e fingir se tratar de outra realidade, uma realidade paralela, alheia, do que assumir o percentual de responsabilidade e agir. E que fique claro, essa é apenas a minha opinião, embora contrária à do colega, é apenas uma opinião como a dele. A crítica não se dirige a um ou outro especificamente. Ela se dirige a mim, a você, e a todos que preferem se omitir e cobrar ao invés de atuar, e infelizmente ainda dão crédito e ibope ao espetáculo.

Lidiane Orestes