08 de julho de 2026
Bairros

Comodidade e renda motivam as mudanças

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

As festas juninas estão de pé, sejam elas fechadas em empresas e escolas ou abertas à participação da população em clubes, associações e igrejas. Em Bauru, entre as mais freqüentadas estão a da Universidade do Sagrado Coração (USC), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Serviço Social do Comércio (Sesc) e a de Santo Antônio, na comunidade do Jardim Bela Vista, que reúnem todos anos milhares de pessoas.

Nesses locais, música, dança e fé se misturam. Da mesma maneira, enquanto algumas festas ainda mantêm a tradição religiosa, outras preferem apenas propagar o lado festivo da data. Na festa de Santo Antônio, por exemplo, a reza da “trezena” é tradição.

Um dos ápices da festividade, a quadrilha está presente em muitos dos eventos, que reúnem pessoas de todas as idades vestidas a caráter. As crianças são as que mais curtem aparecer com calça remendada, camisa xadrez, chapéu de palha, enfim, tudo que possa remeter à tradição caipira das festas.

Leonardo Gomes é um dessas pessoas que esteve na festa do Sesc ao lado do filho vestido a caráter. “Desde o tempo de escola a gente sempre foi as festas assim. Meu filho só aceitou vir vestido e, claro, com o bigode pintado com lápis preto”, conta Gomes.

Brincadeiras como a da cadeia ainda chamam muito a atenção. Douglas Marino foi preso a pedido dos amigos pela “polícia”, que trabalhou muito na festa do Sesc. “A cadeia é feita de bambu e a pessoa fica presa por alguns minutos. É tudo brincadeira”, conta um dos policiais.

Pipoca, amendoim, bolos, doces diversos, quentão e chocolate quente são comidas e bebidas tradicionais das festas juninas. Mas hoje o cardápio vai bem além dos comes tradicionais e inclui itens que nada tem nada a ver com as festas desta época, mas que têm grande aceitação pelo público: cachorro quente, batata frita, salgados e até carne de porco. Outros ‘invasores’, refrigerantes e cervejas também são comercializadas nesses locais.

Outro mudança verificada está nas datas. Devido ao encerramento do semestre letivo, muitas festas, principalmente das escolas, têm sido realizadas no mês de julho e começaram a ser chamadas de “festas julinas”. O arraiá é montado, as comidas típicas estão presentes, mas que por serem fora da época, não carregam a tradição da religiosidade dos quatro santos.

Diversão para muitos, as festas ajudam a levantar dinheiro para obras de igrejas, clubes e entidades. Mesmo com desfiguração da tradição, as festividades juninas são uma das mais esperadas do calendário brasileiro.

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Personagens especiais

Festas juninas como as realizadas em quarteirões e em igrejas e escolas têm, em geral, vários personagens principais. Entre eles estão os voluntários, que dedicam horas do seu dia e até abdicam do seu momento de descanso para organizar festividades como a de Santo Antônio, no Jardim Bela Vista.

A festa tradicional da comunidade é realizada há 68 anos e depende exclusivamente do trabalho de voluntários, como é o caso de Dinorah Campanelli Simonetti, que comanda a Pastoral da Saúde daquela igreja.

Dinorah e mais 44 senhoras comandam a distribuição dos pães de Santo Antônio e a comercialização dos lírios. Maria da Costa e Maria José Ruiz são duas voluntárias que trabalham no grupo comandado por Simonetti. “Além de participar da festa, a gente trabalha o ano inteiro na distribuição de pães, remédios para as pessoas mais necessitadas”, lembra Ruiz.

Gerson Rodrigues e Hissao Fugiwara também têm seu papel para a o sucesso da festa. Eles são responsáveis por fazer e assar milhares de espetos de kaftas que serão comercializados durante o evento. “Cada um ajuda com o pode, a gente faz o que sabe e o que gosta de fazer”, explica Fugiwara.

Na cozinha, mais voluntárias trabalham horas e horas para não faltar nada durante os dias de festa. Salgados, assados, doces e tantos outros pratos são preparados por devotos de Santo Antônio que trabalham dia e noite para não faltar nada. Ângela Marcondes de Oliveira é chefe da cozinha na festa de Santo Antônio, na Bela Vista. “Eu tinha 16 anos quando comecei a ajudar. São 50 anos, sempre ajudando aqui”, conta.