09 de julho de 2026
Política

PDT confirma Rosa Izzo como candidata

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

O PDT saudou a candidatura de Rosa Izzo a prefeita e de Antonio Carlos Barbosa a vice-prefeito, ontem, em convenção na Câmara Municipal. O encontro teve sua importância pela oficialização e confirmação da coligação com PSL, PMN, PRB, PRTB e PDT. Porém, as conversas para a coligação com o PTB, possível caso o pré-candidato Toninho Garmes recue da intenção de sair na disputa a prefeito, geraram grande expectativa.

O presidente do PDT Faria Neto, inclusive, lembrou que o nome da coligação ficaria em aberto, pois as articulações com os petebistas visariam a formação de uma “Frente Trabalhista”, com a chegada do PTB. O PDT reservou de 10 a 12 vagas para abrigar candidaturas a vereador na coligação proporcional. Ao JC, Faria disse que apenas está definido que sairão 32 candidatos para brigar pelas cadeiras da Câmara.

Todas as lideranças do PDT falaram com cautela sobre a possibilidade de compor, pois não pretendem melindrar Garmes. Entretanto, a presença do vereador pastor Luiz, do PTB, na convenção do PDT, para quem não estava diretamente nas negociações para a aliança, significou um aceno representativo de que estaria próximo um acerto. Ao JC, pastor Luiz avaliou que a conjuntura política atual sinaliza ao PTB como melhor saída a coligação com PMDB ou PDT.

Ele diz não ver alternativa. “Seria bom para nós, já que não conseguimos viabilizar uma candidatura própria. Então queremos, pelo menos, uma boa coligação para que os nossos pré-candidatos (vereadores) tenham uma eventual eleição garantida. Para mim, é viável tanto o PDT como o PMDB, que são as legendas que abriram para a gente”, explica.

Ele destaca que há pouco espaço de manobra na atual situação para o PTB, num cenário com candidaturas a prefeito já homologadas e o Partido Verde definido em torno do nome de Clodoaldo Gazzetta para a disputa ao Palácio das Cerejeiras.

Tanto Faria Neto, que sairá candidato a vereador, quanto o ex-prefeito Antonio Izzo Filho frisaram, em diferentes momentos, o respeito a Toninho Garmes, independente da decisão que o pré-candidato a prefeito venha a tomar. O tom foi de afago ao petebista num momento em que qualquer tensão pode ruir o acordo prestes a ser definido. “Se eles vierem serão bem recebidos e vamos trabalhar juntos”, resume Rosa Izzo.

Desde que o nome de Rosa Izzo surgiu, pela impossibilidade jurídica de Antonio Izzo Filho sair candidato, se fala que a candidatura teria muita penetração na periferia, onde se concentra a população mais ávida por infra-estrutura urbana e melhorias gerais. “Dizemos que a prefeitura deve trabalhar, prioritariamente, para aqueles que mais necessitam. Isso não é uma exclusão da elite. A candidatura, sendo vitoriosa, através do PDT, não vamos fazer nada de forma particular. É com o Faria encabeçando, vamos procurar as forças vivas da cidade para que possam nos ajudar a administrar. Aqueles que aceitarem terão que saber que, sem nenhuma exclusão, a prioridade tem que ser com relação com o povo que está mais sofrendo”, define.

Izzo Filho não descarta que Rosa e Barbosa sejam eleitos ainda no primeiro turno. “O que estou sentindo, hoje, é uma manifestação de apoio e carinho muito grande. Então hoje, eu diria que seria uma eleição de primeiro turno. É lógico que quando começarem os programas de TV, quando todo esse número de candidatos a vereador sair para rua, pode ser que mude”, frisa, com a confiança de quem já participou das campanhas de 1988 e 1996.

Candidato a vice-prefeito, Barbosa diz estar otimista por aquilo que já estaria percebendo no corpo-a-corpo pela cidade. Ele relembrou de momentos vividos ao lado de Izzo quando foi titular da então Secretaria de Cultura, Esportes e Lazer. Antes Barbosa ocupou o mesmo cargo na administração Tuga Angerami (1983-1988) também na pasta de Esporte e Lazer.

____________________

Rosa frisa que candidato não é Izzo Filho

Rosa Izzo tem consciência que sua candidatura está colada ao nome do marido, o ex-prefeito Antonio Izzo Filho, por duas vezes prefeito de Bauru. Porém, ela argumenta que a candidata é “Rosa”, ao ser questionada sobre como irá lidar com eventuais ataques que venha a receber, devido à conturbada passagem de Izzo pelo Palácio das Cerejeiras no segundo mandato (que o levou à cassação e, posteriormente, a uma condenação à prisão por quatro anos e meio).

“O povo sabe que o Izzo foi preso e nós nunca escondemos isso. Sou eu que sou a candidata e o Izzo não é candidato”, finaliza. Num discurso articulado, o marido enfatizou o mesmo. “Eu não sou candidato. Toda vez que me atacarem, eu vou pedir na Justiça o direito de resposta. Acho que ela deve dar uma resposta sucinta quando houver o ataque, mas não perder muito tempo com isso porque, na realidade, é ela quem é a candidata”, frisa.

Ele diz que, em caso de vitória da esposa, não terá cargo na administração Rosa Izzo. “Vou orientar naquilo que foi acerto. E pedindo para que redobre o cuidado naquilo que foi erro”, salienta o ex-prefeito.

Enquanto pai e mãe discursavam para iniciar uma nova campanha política, as duas filhas do casal acompanhavam a movimentação da convenção. Cássia, 28 anos, é médica e está completando residência na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Silvia, 25 anos, é advogada. O filho do casal, Ronaldo, 30 anos, cursa doutorado em geoténica ambiental na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e não pôde comparecer ao evento.

Cássia e Silvia vêem com bons olhos o lançamento da candidatura da mãe. “Na medida do possível, vamos ajudar”, destacam.

“A família é a base e eu tentei fazer essa base forte e consegui. Apesar de tudo que nós passamos, principalmente minha filha mais nova que sofreu muito, ela sabe e dá força para o pai e pra mim”, comemora Rosa.