Não há dúvidas de que a fama massageia o ego. Ademais, pouco é necessário para fazer-se popular. Basta matar, caluniar, injuriar, roubar ou gerar um escândalo vulgar para alcançar o estrelato. Enquanto isso, gênios da ciência, benfeitores e exímios artistas são jogados às traças pela mídia, pois não rendem altos índices no Ibope. Essa é a lógica do lucro a qualquer custo. Porém, diante de tamanha incoerência, perguntamo-nos: “A fama é realmente necessária?”
Absolutamente não. Ao tratarmos da popularidade, não atinamos para um detalhe crucial. Há dois meios de alcançá-la: um é através da fama, outro, do sucesso. Muitos ralharão contra essa afirmação, dirão que ambos os termos são sinônimos. Não o são. A primeira via é um caminho largo, bem calçado e retilíneo. Atraente e fácil de ser percorrido. A segunda mostra-se uma estrada estreita, pedregosa e curvilínea. Para percorrê-la, é necessário passar por árduas jornadas. A história mostra-nos que os que percorrem as maiores distâncias são eternizados como heróis. Por oposição, os que trilham o caminho da fama não a têm por mais de quinze minutos. Esses são os assassinos, ladrões e fazedores de intrigas e escândalos. Aqueles, os benfeitores, os talentosos e os esforçados. Portanto, não é preciso ser famoso, porém é louvável a busca do sucesso pelo trabalho. Ao ator Pedro Cardoso, em entrevista à revista “Isto é”, foi perguntado se gostava da fama. A resposta: “Gosto do sucesso, não gosto da fama”. Acertou na mosca.
Daniel de Lima Alves Cortez