08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Passageiro


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Olhar. Este é o júri de todas as matérias. Ao comprar um utensílio , a tecnologia oferece a beleza para o cliente. No namoro, a roupa faz diferença. O empregado é analisado pelo perfil estético. Tudo torna-se dominado pelo sentimento antropomórfico da vaidade. Muta-se desde a pré-história. A teoria dionisíaca contribui para evolução. Até a Revolução Industrial, o culto ao belo era restrito algumas esferas. Na literatura a perfeição de origem camoniana: engenho e arte. Nas artes: o renascimento. Contudo, nesse contexto a tecnologia estava apática à praticidade, e a futilidade pessoal: cética.

Junto das metamorfoses ocorridas anteriormente, dois acontecimentos pertinentes afloraram. Primeiro, o homem finalmente colhe os bons frutos de sua colheita. Depois de tantos estudos, o ramo da cirurgia plástica amadurece como consolo a humanidade. O efeito da academia torna-se opcional. Segundo, tudo tem preço. Paralela as tecnologias rejuvenecedoras: o desastre. As fontes naturais de vida não sofrem mutações, clonagem ou fecundação. Todas as mudanças acionadas nestas, pelo ser humano, são permanentes.

Estrutura-se nisso uma das maiores injustiças da existência. Através do progresso tecnológico em várias áreas, a expectativa de vida ascendeu. Além disso, inúmeros são os recursos para cultivar a juventude. Contudo, ao mesmo tempo a descoberta de que não existe milagre antropomórfico destrói a inovação humana. Podemos conservar a vaidade, exercer o comodismo, ter habilidade. Todavia, tudo que construímos, destruindo, é fugaz. Como a nossa irrefutável vida - do pó ao pó.

Aline Couto Carneiro