Marília - Agentes penitenciários flagraram, na tarde de sábado, uma mulher que tentava sair da Penitenciária de Marília (100 quilômetros de Bauru) com dois pombos-correio escondidos em uma marmita. Os animais estavam com sacos de tecido amarrados no corpo.
A suspeita é que eles possam estar sendo usados como mensageiros do crime. Três pessoas estão sendo investigadas.
Recentemente, segundo depoimento de funcionários à polícia, o movimento de pombos na penitenciária teria aumentado visivelmente. Já havia diversos relatos de aves entrando nas celas e recebendo alimentação dos presos.
Depois da visita de rotina, por volta das 15h de sábado, uma mulher de 27 anos saía da penitenciária com uma sacola contendo marmitas. Agentes desconfiaram e revistaram a moradora de Pompéia.
Com ela, foram encontradas duas pombas, ambas com saquinhos de tecido amarrados no corpo. A Polícia Militar (PM) foi chamada e levou a dona de casa ao plantão da Polícia Civil para explicar a situação inusitada.
Em depoimento ao delegado Paulo de Souza, a visitante do presídio afirmou ter levado as marmitas com alimentos. Quando saía, recebeu a sacola com os recipientes aparentemente vazios e não percebeu que eles tinham pássaros.
No depoimento confuso, a dona de casa disse que entregaria as marmitas a uma mulher que chegaria num carro preto. A polícia fez buscas na área do presídio, porém não localizou o suposto contato responsável pelos pombos.
“Não há nenhum crime comprovado. Diante da suspeita do uso dos animais para entrada de objetos ilícitos, vamos registrar o fato e encaminhar para investigações”, disse o delegado Paulo de Souza, responsável pelo plantão.
As duas pombas foram apreendidas e estão sob os cuidados da veterinária Cátia Voss, profissional da empresa Univet. Segundo ela, o estado de saúde das aves é considerado bom e não há ferimentos ou sinais de maus-tratos.
“Com tecido amarrado no corpo, evidentemente o animal enfrenta desconforto, mas não dá para afirmar que as pombas estão maltratadas. Podemos observar músculos bem fortes e alimentação farta”, relata a veterinária.
Ainda segundo Cátia, os pombos-correio deverão ser mantidos em cativeiro durante toda a vida ou inevitavelmente retornarão ao presídio. “Estamos tentando conseguir um local adequado, enquanto isso ficam sob meus cuidados”, relata.
Pelas características naturais, os pombos-correio tendem a retornar ao local onde são alimentados, assim como registra a história do animal, conhecido como mensageiro, usado como meio de transmissão de informação ou objetos durante guerras ao longo dos tempos.