08 de julho de 2026
Nacional

PM substitui militares em morro

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Rio - Policiais militares realizaram ontem uma operação no morro da Providência (centro do Rio) para substituir gradativamente tropas do Exército. Segundo o Comando Militar do Leste, os militares começaram a desocupar a favela anteontem. Homens que faziam policiamento no complexo do Alemão (zona norte do Rio) estão sendo deslocados para o morro da Providência.

Na última sexta-feira, a Justiça acatou pedido de recurso da Advocacia Geral da União (AGU) e derrubou liminar que determinava a retirada imediata do Exército do morro da Providência. A decisão, contudo, autoriza os militares a atuar até o próximo dia 26 somente na rua Barão da Gamboa, onde são realizadas as obras do projeto Cimento Social. Tropas do Exército foram designadas para realizar a segurança no local, entretanto, existe a suspeita de que eles atuavam em outras áreas no morro.

A Polícia Militar deslocou ontem mais homens para o morro, desta vez do 5.º Batalhão de Polícia Militar (Zona Portuária). Na manhã de ontem, eles começaram a fazer policiamento ostensivo nas ruas do morro da Providência, tarefa que, para a juíza Regina Coeli Medeiros, da 18.ª Vara Federal, vinha sendo ilegalmente realizada pelo Exército.

Até as 10h30 de ontem não havia registros de conflitos na favela, segundo a polícia. Além dos policiais do 5.º BPM, o policiamento do morro da Providência é feito, normalmente, pelo Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE), também da PM, que fica dentro da favela.

O Comando Militar do Leste ainda não soube informar quantos militares estão na Providência, mas ao menos metade dos cerca de 250 homens que ocupavam o morro até semana passada já saíram da favela. Segundo decisão da Tribunal Regional Federal (TRF), o Exército tem até quinta-feira para retirar totalmente as tropas da Providência. Na manhã de ontem, contudo, militares ainda eram vistos circulando em áreas não autorizadas pela decisão do TRF.

Crime

Onze militares do Exército são acusados de terem entregado três jovens do morro da Providência a traficantes do morro da Mineira, controlado pela facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), do Comando Vermelho (CV), que domina a Providência, no último dia 14.

Os jovens foram encontrados mortos no dia seguinte no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias (município da Baixada Fluminense). Os militares foram presos e confessaram, segundo a polícia, que entregaram os jovens a traficantes da Mineira.

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Mães se reúnem com Lula

Rio - As mães dos três jovens do morro da Providência, centro do Rio, mortos após serem entregues a traficantes por militares que ocupam a área, se reuniram na tarde de ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Elas pediram a retirada total do Exército da comunidade, mas disseram não ter recebido nenhuma posição oficial.

Os militares ocupam o morro desde dezembro de 2007 para acompanhar a execução das obras do projeto Cimento Social. Na semana passada, a morte de três rapazes deu início a uma crise que culminou na decisão da Justiça Federal, que determinou a permanência do Exército em apenas uma rua até a quinta feira.

A reunião de ontem aconteceu no Palácio Guanabara, a sede do governo do Estado do Rio, nas Laranjeiras (zona sul), onde o presidente havia participado, mais cedo, de assinatura de um projeto de lei de crédito suplementar para a campanha pela Olimpíada de 2016 no Rio.

As mães dos moradores mortos - David Wilson Florêncio da Silva, 24 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19 anos, e Marcos Paulo da Silva, 17 anos - foram convidadas para o encontro pelo presidente Lula por meio do ministro Paulo Vanucchi (Direitos Humanos), segundo o advogado João Tancredo, que representa as famílias das vítimas. “Eles (assessores) me ligaram e pediram uma reunião com elas”, disse. “Elas foram levar ao presidente o pleito da retirada imediata do Exército (do morro) sem nenhuma substituição.”

Na saída do encontro, por volta das 17h, Lílian Gonzaga, mãe de Wellington Gonzaga Costa, disse que agradeceu ao presidente Lula, mas que nada ficou decidido.

Também estiveram no encontro o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), que passou a semana passada inteira em viagem no Exterior, e o ministro Paulo Vanucchi, que esteve no Rio na semana passada e se reuniu com as mães dos jovens e moradores do morro.

Nenhum órgão do governo federal se manifestou sobre o encontro até o início da noite de ontem.