08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Che Guevara vive!


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8 de outubro de 1967 ficou marcada na história como sendo a data do assassinato de uma das figuras mais notáveis do século XX, Ernesto Che Guevara, na Bolívia, no povoado de La Higuera, pelas forças armadas daquele país, em colaboração com a CIA - Agência Central de Inteligência Americana.

40 anos depois, Ernesto Che Guevara, médico argentino, nascido em Rosário, em 14 de junho de 1928, é lembrado no mundo todo como uma das figuras marcadas pelo desprendimento, pelo idealismo e pela convicção transformadora e revolucionária de que um homem não deve viver de joelhos, pelo contrário, deve almejar objetivos mais amplos na sua vida em defesa do seu povo, dos explorados e dos oprimidos.

Como cidadão argentino, Ernesto Che Guevara tinha toda a retaguarda da classe média dos anos 50 que vivia em seu país um período de prosperidade econômica. No entanto, ele optou por viajar pela América Latina e conhecer sua realidade e seus povos. Diante do que viu, concluiu que sua ação como médico deveria associar-se ao combate às iniqüidades, à opressão, à exploração e à exclusão social. Nessa caminhada passou pela Guatemala, onde pôde viver, como médico e como militante político, a rica experiência do exercício do governo e da derrota (pela intervenção norte-americana) no governo democrático de Jacobo Arbenz.

Como assinalou o cientista social brasileiro Eder Sader: “Quando as tropas invasoras penetram na capital guatemalteca e começam as execuções, o nome de Ernesto Guevara figurava na lista dos condenados à morte. É nesse momento que ele sente mais fortemente a barbárie do imperialismo escondida atrás da ‘defesa da democracia’: fuzilamentos, derrubada de um governo constitucional, abolição de direitos dos trabalhadores, de outro lado, comprova a fragilidade dos governos e partidos reformistas, prisioneiros das estruturas do poder burguês e a atitude das burguesias nacionais e de suas forças armadas, que recuam ante a polarização das lutas, precipitando-se sob a proteção da dominação estrangeira”.

Frente a tal situação, Che Guevara vai para o México, onde conheceu Fidel Castro e aqueles que mais tarde protagonizariam a revolução cubana, como Camilo Cienfuegos, Raul Castro e tantos outros que saindo do México em direção a Cuba e, na “Ilha”, após os primeiros revezes do desembarque, ganham “Sierra Maestra” para empolgar o país e derrotar a ditadura de Fulgêncio Batista e os apoiadores do poder imperialista.

Che Guevara foi, antes de tudo, um homem de ação, mas com base teórica. Foi um revolucionário capaz de ir às últimas conseqüências em suas ações, inclusive correndo todos os riscos que implicam tais opções, de sua própria vida, em defesa de suas idéias.

Milhões de pessoas vão continuar lembrando de Che Guevara porque ele, por sua ação e destino eterniza-se como um dos maiores revolucionários de todos os tempos. Enquanto isso, Hugo Banzer e seus sequazes vão para a “lata do lixo da história” e serão lembrados, no máximo, como aquelas figuras menores e pálidas, sempre dispostas a sujar as mãos e alienar qualquer noção de honra e integridade, por algumas lentilhas, em favor dos poderosos de plantão.

Odair Machado - professor de história