09 de julho de 2026
Internacional

Líder da oposição do Zimbábue se refugia na embaixada da Holanda

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Harare - O governo do Zimbábue anunciou ontem que manterá o segundo turno das eleições presidenciais na próxima sexta-feira com ou sem a participação do partido de oposição, Movimento pela Mudança Democrática (MDC).

O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, buscou refúgio na embaixada da Holanda em Harare. Anteontem ele anunciou que não participará do segundo turno da eleição presidencial contra o atual presidente, Robert Mugabe.

O Ministério de Relações Exteriores da Holanda informou que Tsvangirai não pediu asilo, mas disse que ele era bem-vindo a ficar na embaixada para sua própria segurança. Ainda não houve confirmação da desistência por seu partido, o Movimento pela Mudança Democrática (MDC).

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores holandês, Bart Rijs, negou-se a especular por quanto tempo o líder opositor ficará na embaixada. “Seu partido, o MDC, apresentou um pedido no domingo e o ministro Maxime Verhagen decidiu se que, se ele (Tsvangirai) buscava segurança, que fosse aceito”, explicou.

“Tsvangirai realmente perguntou, através do MDC, seu partido, se a Holanda estaria disponível para dar a ele segurança nos próximos dias’’, disse o ministro Verhagen à rede de TV americana CNN.

Invasão à sede da oposição

Mais cedo, o MDC disse que a polícia invadiu a sede do partido em Harare e levou mais de 60 pessoas. O partido afirma que cerca de 90 de seus partidários foram mortos por milícias que apóiam o presidente Robert Mugabe. Entre os detidos estão mulheres e crianças. A operação, a maior lançada pelas forças governamentais contra o MDC, teve a participação de dezenas de membros das forças de segurança fortemente armados, que detiveram os que estavam na sede do partido e os colocaram em um ônibus policial, disse o porta-voz da oposição, Nelson Chamisa.

Segundo Chamisa, entre os detidos estão simpatizantes do MDC que tinham ido à sede central do partido após serem atacados e feridos por simpatizantes da governamental União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF).

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Lideranças reagem à crise; Brasil cancela envio de missão

Brasília - Líderes de entidades internacionais e chefes de governo de todo o mundo criticaram o processo eleitoral no Zimbábue e lamentaram a saída do líder da oposição, Morgan Tsvangirai, da disputa eleitoral no país.

Brasil

Após a saída de Tsvangirai, o governo brasileiro determinou a suspensão da missão de observadores eleitorais que, a convite do governo zimbabuano e estimulado por países da região, enviaria ao Zimbábue. O Brasil lamentou a saída de Tsvangirai e criticou o governo do atual presidente.

A informação foi confirmada por uma nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores, que também “lamenta que a situação tenha chegado ao ponto de motivar a desistência do candidato opositor”.

A preocupação se eleva dentro e fora da África com a crise política e econômica do Zimbábue, que fez com que milhares de refugiados fugissem aos países vizinhos. Tanto a União Africana quanto a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral estão discutindo a situação após a desistência de Tsvangirai.

O Reino Unido disse que Mugabe deve ser declarado líder ilegítimo e que as sanções contra seus simpatizantes têm de ser endurecidas.

O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, qualificou de “farsa” a democracia no Zimbábue e lamentou a retirada de Tsvangirai do segundo turno. Já o primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, pediu sanções contra o regime do “governo brutal” de Robert Mugabe.

Algumas horas antes, os Estados Unidos haviam anunciado que queriam levar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a situação política no país africano, após o afastamento de Morgan Tsvangirai.

ONU e UE

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, considerou que a retirada de Tsvangirai é um episódio deprimente e um “mau presságio” para o futuro do país.

Já para o representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, é inaceitável a campanha de violência e intimidação perpetrada pelas autoridades do Zimbábue durante as eleições presidenciais no país.

Solana afirmou que as eleições no país viraram uma “paródia de democracia”, no mesmo dia em que Morgan Tsvangirai, principal adversário do presidente Robert Mugabe, abdicou de sua candidatura.