09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Retrato de Bauru em preto e branco e a cores


| Tempo de leitura: 5 min

Como Bauru completará no próximo 1º de Agosto seus 113 anos de emancipação política, resolvi presenteá-la antecipadamente com um retrato. Pobre que sou, não disponho de filmadora ou câmera fotográfica descartável. Mas, como sou um eterno apaixonado pela querida e respeitável “cidadã” Bauru, vou tentar imprimir alguns flashs do que tenho visto e sentido através do “Raio-X” do meu coração. Como eu só vejo Bauru pelo lado positivo e belo, os flashs de pontos negativos os registrei apenas porque prometi retrato em preto e branco, e o grande número dos ditos pontos “in black”, deixo que os bauruenses os registrem e os cataloguem em ordem de prioridade, apresentando os seus reclamos às autoridades eleitas por seus votos, aproveitando as grandes armas que Bauru dispõe, que são os jornais, canais de televisão, e até a internet.

Como o meu foco está dirigido a grande “senhora” Bauru, e é lógico, diante de minha quase míope ótica e pouca aptidão como fotógrafo, como urbanista e quase total desconhecimento de planejamento urbano, tenho a meu favor o meu amor e minha paixão por Bauru, e por isso a trato como uma autêntica mulher, que tem lá os seus caprichos, suas vaidades, suas necessidades e seus descuidados. Na minha ótica uma cidade é um autêntico organismo vivo, o que tem que ser cuidado, alimentado, respeitado, higienizado, vestido, amado, mas muito amado, por seus moradores e visitantes, independentemente da raça, da cor, do credo religioso, de partidarismo político ou se é torcedor do Corinthians ou do São Paulo. Acreditem, desde que adotamos uma cidade para nela vivermos, temos que ter consciência de nossa responsabilidade comunitária. Todos por uma cidade, pois sendo um organismo vivo, respira o ar que respiramos e exalamos, recebe todas as nossas vibrações boas ou más, torna-se depósito de todos os nossos desejos e anseios. Guarda em seu íntimo todos os nossos segredos e registra em suas paredes, muros e postes toda imbecilidade dos incompetentes, dos inconformados, dos revoltados e toda sorte de demônios disfarçados de humanos.

Mas vamos voltar a falar da minha namorada, porque estou me perdendo em devaneios. Não raro, as mulheres apelam para cirurgias plásticas e com freqüência visitam cabeleireiros, manicure, institutos de beleza e etc. Usam e abusam dos recursos da maquiagem, de jóias, de adereços e de tudo que é privilégio feminino. Mas nem sempre conseguem satisfazer todas as suas vaidades. Com a minha amada Bauru acontece o mesmo. A parte mais antiga, que foi onde iniciou e pulsou forte o coração de Bauru, está deteriorando. Prédios envelhecidos, muitos até fechados. A estação das estradas de ferro, coitadinha, está jogada às traças com toda infra-estrutura de trilhos, prédios, armazéns, etc. Um absurdo que só acontece em um país chamado Brasil. É incalculável o valor dos investimentos que estão apodrecendo. Tudo aquilo que serviu para desenvolver o Oeste do Estado, transportar riquezas, responsável pelo grande surto de progresso e crescimento de muitas cidades, inclusive da minha Bauru, para nada serve. Povo sem memória. Estado sem memória. País sem memória. Políticos irresponsáveis.

Talvez seja necessário constituir um triunvirato formado por um padre católico, um pastor da Igreja Universal e um Pai de Santo da Bahia, para juntos rodarem a baiana e exorcizar esse negativismo que está travando a conclusão do viaduto e dissipar esta nuvem negra que impede a visão e a vontade de políticos resolverem ativar as ferrovias. É meu sonho e de muita gente que surja um gigantesco facho de luz para dissipar as trevas.

Rapidamente darei uma clicada no conjunto Ferradura, exemplo dos demais bairros pobres, nas ruas esburacadas, etc., porque Bauru se entusiasmou com o título de cidade sem limites, cresceu desordenadamente porque faltou um plano de urbanização rígido. Quiçá as lentes fotocromáticas da minha alma consigam projetar um mínimo das incontáveis belezas da minha Bauru, muito amada e adorada. Bauruenses! Não fiquem zangados porque um agudense tomou por amante a cidade de vocês e a chama de minha cidade. É que os braços da minha amada sempre estiveram abertos para receber e acalentar todos nós. Como é meu desejo despertar o interesse e a paixão dos bauruenses por sua cidade, fotografei o verde dos cerrados que cercam Bauru e oxigena a vida de todos, com seu horto florestal e o importantíssimo jardim zoológico. Fotografei os belíssimos condomínios fechados, fotografei as Universidades USC, UNESP, USP, UNIP, ITE, que são as jóias que adornam o pescoço da madame Bauru. Fotografei as belezas do jardim Estoril, Shangrilá e o recinto de exposições Melo de Moraes. Fotografei a avenida Nações Unidas, a Duque de Caxias, a Rodrigues Alves, a Getúlio Vargas, a Castelo Branco, principais artérias de escoamento do tráfego.

Fotografei o aeroporto da cidade, como o aeroclube e o de Arealva. Fotografei o Vitória Régia, a panela de pressão, o Teatro Municipal, as praças, as igrejas, os Clubes Sociais e o Ceasa. Fotografei o vai e vem das compras na Batista de Carvalho, no Shopping, nos hiper e supermercados e também a expressão feliz de muitos bauruenses. Se mais não fotografei, é porque está faltando energia nas baterias de meu Raio-x, ou melhor, como não conheço tudo que Bauru tem, apres-sadamente vou fotografar o Hospital Estadual de Bauru, o Hospital de Base, o Hospital Beneficência, o Hospital da Unimed, o Hospital Lauro de Souza Lima, o Manoel de Abreu, os estádios esportivos, etc, e vou ficar devendo muitas fotos, bem sei.

Foram tantas as fotos coloridas que retratam a beleza das pérolas, dos rubis, dos diamantes, diademas que enfeitam e adornam a minha querida cidade de Bauru, que eu, tímido e inexperiente no “mettier” de fotógrafo não tive a iniciativa de pedir ajuda ao grande mestre, arquiteto Jurandyr Bueno Filho, que projetou boa parte de Bauru, para ser o meu roteirista e guia.

Porque ao completar 113 anos, Bauru merece o carinho, dos seus filhos natos e adotivos, dos visitantes esporádicos e freqüentes, dos profissionais que aqui defendem o seu pão e os estudantes que aqui se preparam, e, em especial, os políticos. Minha querida Bauru, meus parabéns antecipados e minhas desculpas pela inexperiência como fotógrafo. “Bauru, Cidade Sem Limites e Sem Fronteiras - A Melhor Cidade do Mundo para se Viver.”

Álvaro Zulian