Botucatu - Ex- funcionários da Companhia Americana Industrial de Ônibus (Caio) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) receberam ontem a correção monetária dos créditos trabalhistas da massa falida da empresa. Os 1.200 metalúrgicos receberam cerca de R$ 2,6 milhões, valores que, injetados na economia local, vão provocar um impacto positivo nesta época do ano.
O pagamento da correção monetária encerra as dívidas trabalhistas da empresa com chave de ouro, na opinião do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Botucatu, Miguel Ferreira da Silva.
Na opinião dele, o pagamento é um marco na história das falências brasileiras. “No Brasil, é muito difícil acontecer o que ocorreu aqui. Na maioria dos casos, os trabalhadores ficam sem receber as dívidas trabalhistas e a correção.”
Segundo ele, ontem 1.200 ex-funcionários receberam a correção. “Desse total, 960 têm ações promovidas pelo sindicato. Os demais contrataram advogados separadamente.”
Em média, cada ex- funcionário deve receber R$ 1.200,00. “O valor varia, cada caso é um. Tem funcionário que vai receber R$ 10 mil, R$ 7 mil, mas têm alguns que vão receber R$ 10,00.”
A negociação e a seriedade com que o processo foi conduzido, segundo o sindicalista, foram a chave do saldo positivo. “A falência da Caio foi decretada em 19 de dezembro de 2000. Nós fomos negociando com o síndico da massa falida. As dívidas trabalhistas foram sendo pagas com a venda dos equipamentos e o aluguel do prédio.”
Para ele, soma-se ao saldo positivo do processo de falência, o fato da Induscar ter assumido a empresa em 2001. “Dos três mil funcionários que trabalham hoje na Caio/Induscar, aproximadamente mil, ou seja 33%, são ex-empregados da Caio.”
Inadimplência e investimentos
No ano em que a Companhia Americana Industrial de Ônibus (Caio), que chegou a ser a maior do ramo na América Latina faliu, a economia da cidade de Botucatu sofreu um grande impacto com alto índice de inadimplência. Os funcionários foram despedidos e, sem receber, não puderam saldar suas dívidas. Alguns comerciantes e o comércio local passaram por momentos bastante difíceis com a falta de pagamento.
A Caio que era uma das principais fabricantes de carroceria de ônibus do Brasil chegou a ter três mil funcionários, no ano em que faliu tinha cerca de 1.200.
O reverso da moeda começou a ocorrer quando a massa falida pagou as dívidas trabalhistas, cerca de R$ 12 milhões. Ontem, a correção monetária das dívidas foram pagas quitando o processo com os trabalhadores metalúrgicos da cidade.
Para o presidente da Associação Comercial e da Câmara de Diretores Lojistas de Botucatu, José Luiz Marão, a injeção de R$ 2,6 milhões na economia local vai aquecer as vendas que, nesse período do ano, não têm nenhum apelo forte. “Já passou o Dia das Mães e dos Namorados. A próxima campanha é o Dia dos Pais e Natal. Nesse período, o comércio está com vendas em baixa.” Na opinião dele, as dívidas no comércio deverão ser saldadas. “Todo mundo tem dívidas e esse dinheiro pode ser usado para saldar compromissos já assumidos. Acredito que o comércio local será beneficiado nesse item.”
Além de saldar dívidas, Marão arrisca a dizer que alguns investimentos deverão ser feitos com esses recursos. “Muitos dos funcionários têm obras em andamento ou aguardando dinheiro para reforma. Eu acho que o setor de material de construção também pode ser beneficiado.” A injeção de mais de R$ 2 milhões na economia local é bem-vinda. “Vai provocar um impacto positivo.”