08 de julho de 2026
Ser

Minha história: O guru


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Em 1961, Eduardo Leite Ribeiro (Edu), colega de escola, convidou-me para uma primeira visita à sua casa. Muro frontal baixo, portão sem cadeado, porta da sala aberta. Edu jogava xadrez com um homem esguio, uns oito lustros de vida. Cheguei de mansinho. Fique de pé, para não atrapalhar o próximo lance. Edu mexeu uma peça, disse ao homem: “É a sua vez, Beto. Seu rei está em xeque.” Virando-se para mim: “Este é meu pai”. Fiquei pasmado. Pais mandavam e desmandavam então. Beto era uma mente avançada, como o pai.

Ele era feliz timoneiro de um clã: a esposa Olga, os filhos Maria Luíza, Maria Carmelina, Eduardo e Maria Sílvia. Desde os anos 40 foi um precursor na radical mudança de relacionamento entre pais e filhos que só ocorreria nos anos 70, do Oiapoque ao Chuí. Foi um pai democrático quando quase todos os pais eram autocráticos. Beto deixou rastro. Foi meu guru. Segui seus passos quando mais tarde fui pai de três filhos. Gilberto Leite Ribeiro (o Beto), figura carismática, permanece gravada na memória.

Gilberto Sidney Vieira