10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Música e vocabulário e o salve-se quem puder


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No rock música é “som”, no clássico música é “peça”, no jazz música é “tema”, na bossa nova música é “canção” e no forró música é “moda”. Nos quatro primeiros antes de tocar você escolhe o “tom”, no último você escolhe a “artura” nos quatro primeiros quem toca é “músico”, no último quem toca é “tocadô”, eu acho que sou “tocadô” no sábado e viro músico aos domingos ou coisa assim. No sábado tenho que chamar “acorde” de “posição”, no domingo é de “acorde” mesmo. Que maravilha é a cultura popular brasileira. Para alguns colegas eu digo assim: "toque agora mi com sétima" e para o outro tenho que dizer “toque a segunda de lá” (é a mesma coisa). Comecei estudar acordeom já faz um ano, passou um gaúcho na minha escola e disse que eu estava tocando era “gaita”, que meu amigo Décio chama de sanfona. Assim a gente vai vivendo e aprendendo a jogar. Daqui a alguns dias nossos ouvidos começarão a escutar os tão esperados “jingles políticos”, dia após dia, noite após noite, acalentando (canção de ninar) nossas almas com as maravilhosas composições em formato de paródias, inclusive do “Fuscão Preto”. Eles conseguem até mesmo fazer rima de vereador com esperança, nunca ouvi coisa igual, versos com métricas regulares não existem, ninguém sabe o que é estrofe nem refrão, sendo assim eu tomo a liberdade de convidar todos os candidatos a procurarem os profissionais da área que estão acostumados com as entrelinhas musicais, são eles cantores da noite, locutores de lojas e os estúdios mesmo. Não tentem fazer nada sozinhos, pois o resultado final pode ser uma surpresa desagradável (o tiro pode sair pela culatra). Portanto, se o seu jingle for um tema, uma peça,uma canção, um “som” ou até mesmo uma moda, procure um profissional da área. Fazendo isso, além de ter um trabalho de qualidade, você, candidato, estará gerando empregos temporários a toda uma categoria de trabalhadores que geralmente são informais porém muito competentes, e não esqueça: volume forte no carro de som lhe tirará os votos, pois aumenta a adrenalina despertando a “raiva” em quem escuta. Faça com qualidade pois o som tem altura, intensidade e timbre. Abuse da altura e do timbre, mas nunca da intensidade. Um abraço aos colegas músicos de Bauru e região.

Jeronymo Bigarelli