São Paulo - O PT dá largada hoje, em um centro de eventos na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, à tentativa de retomar a administração da cidade que já comandou por duas vezes.
Marta Suplicy, 63, vai para a campanha com a estratégia de federalizar a disputa e colar a imagem à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para isso, conta inclusive com adaptação de slogan popularizado na campanha de 2006 do petista: “Deixa ela trabalhar”.
Prefeita de São Paulo entre 2001 e 2004 -perdeu a disputa à reeleição para José Serra (PSDB) -, Marta tem priorizado em seus discursos de pré-campanha tanto as menções à Lula como as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em São Paulo.
“Hoje o presidente tem uma avaliação muito alta no Brasil e na cidade de São Paulo. E essa avaliação tem que ser aproveitada por aqueles que estão na base do governo”, afirma o deputado federal Carlos Zarattini, coordenador-geral da campanha petista.
Marta lidera as intenções de voto (30%) em empate técnico com Geraldo Alckmin (29%), do PSDB, segundo pesquisa Datafolha de 15 de maio.
Ela terá que enfrentar, entretanto, uma alta rejeição - a segunda maior (31%)- e críticas da oposição à criação de taxas durante sua administração - ela já se disse arrependida nesse ponto- e ao “relaxa e goza” dito durante a crise aérea.
Em convenção hoje do PDT - a aliança de Marta inclui ainda o PSB, PC do B, PRB e PTN-, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) foi claro: “A vitória da Marta é uma vitória do presidente Lula”.
O presidente da República foi peça fundamental para que o bloquinho (PDT, PSB e PC do B) se unisse a Marta. “Não creio [em federalização]. Vamos disputar a prefeitura, mas vamos disputar com apoio do presidente Lula”, afirmou Marta na manhã de ontem.
Estratégia
O partido já tem pronta a estratégia de propaganda da fase inicial da campanha, elaborada pelo marqueteiro João Santana, o mesmo de Lula.
Ela já deve ser divulgada na convenção de amanhã, para a qual foram convidados dirigentes nacionais de todas as legendas, incluindo o presidente Lula.
Além do “deixa ela trabalhar” - cópia intencional do “deixa o homem trabalhar” da campanha de Lula-, as peças de propaganda têm frases como “Ela quer terminar o que começou”.
Isso já vem aliado ao discurso difundido por Marta desde que deixou o Ministério do Turismo, no dia 3, de que a gestão de Serra e Gilberto Kassab (DEM) desvirtuou ou extinguiu programas de sua gestão.Em seus discursos, Marta diz que pode fazer “muito mais” do que fez na sua última gestão, sob o argumento de que havia pego uma administração após “a passagem de um bando de gafanhotos” e que, hoje, a arrecadação da cidade é maior.
“Uma prefeita de atitude” é outro slogan das peças de propaganda e vai na linha da propaganda partidária do PT difundida no rádio e na televisão neste mês, que defendia “uma nova atitude” para São Paulo na educação, na saúde e no trânsito.
A equipe de Marta pretende priorizar este último ponto, com a promessa de construção de novos corredores exclusivos de ônibus e auxílio ao Estado na ampliação das linhas de metrô.
“Agora a prefeitura tem dinheiro. Mas não por causa da atual administração, mas porque o presidente Lula fez a economia bombar”, disse.
Segundo ela, a administração PSDB/DEM “desmantelou a cidade”. “O Brasil está andando, e São Paulo está parada”, afirmou a petista.