10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Inverno diversifica trabalhos manuais

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 2 min

Quem nunca foi à casa de alguma das avós e observou a rapidez e agilidade com que ela, quieta e sentada em um canto da sala, tricotava sem parar? Pois é. O inverno se configura num ótimo período para investir em trabalhos manuais em tricô e crochê. Além de servir como forma de relaxamento, eles se tornam fonte de renda para muitas famílias, que aproveitam o embalo e incrementam o orçamento doméstico.

Em Bauru, o comércio envolvendo lãs e linhas dobra no inverno. Os estabelecimentos comerciais especializados oferecem cursos na área de geração de renda ou, simplesmente, para quem quiser aprender algo novo e diferente.

Proprietária de uma loja localizada no Centro da cidade, Laíde Maria de Almeida aposta no frio para aumentar o faturamento. As baixas temperaturas deverão ser responsáveis pelo incremento de 60% nas vendas desses materiais. Pesquisas de mercado com base na moda européia indicam que confecções em lã com crochê são a tendência do período.

“E para o ano que vem, isso deve se manter”, acredita. Segundo Laíde, esses trabalhos também servem para aliviar a tensão. “É como uma terapia. Falamos que a professora é uma terapeuta, pois isso relaxa bastante e aumenta também o círculo de amigos”, avalia.

Para Soraya Soubhia, também proprietária de uma loja especializada no Centro da cidade, a expectativa de faturamento no inverno deste ano é alta, já que em 2007 o frio foi ameno em Bauru. A loja oferece cursos nas áreas de tricô e crochê. Ao custo de R$ 5,00 e um quilo de alimento - posteriormente doado a entidades assistenciais da cidade - é possível aprender a confeccionar cachecóis, gorros e blusas. As aulas são ministradas duas vezes por semana.

Nesta estação, ela afirma que tons como vinho, bordô e violeta devem predominar, além dos tradicionais preto, cinza e marrom. “As mulheres são as que mais compram, para presentear a si mesmas ou para filhas e netas. Também fazem (trabalhos) para fora, pois o tricô e crochê servem de fonte de renda”, analisa Soraya. “Além de baratear o custo da produção, a confecção própria também é prazerosa”, acrescenta.

Ambos os estabelecimentos consultados pela reportagem apostam em cursos especializados para atrair clientes e proporcionar alternativas ao desemprego. “O artesanato surge como opção de geração de renda”, afirma Laíde, cuja loja oferece cursos de tricô, crochê, macramê, ponto cruz, bordado e bisqui.

A empresa também realiza programas sociais em bairros como o Fortunato Rocha Lima e Ferradura Mirim, oferecendo professores para ministrar cursos. Os materiais confeccionados são comercializados na própria cidade, através de feiras de artesanato. “Muitos dos clientes fazer o curso e vão ao Banco do Povo pedir financiamento para a compra de máquinas e, assim, fabricar em larga escala”.