Brasília - A economia do setor público para pagar os juros da dívida bateu recorde no valor acumulado nos primeiros cinco meses do ano, apesar da queda registrada em maio, segundo relatório divulgado ontem pelo Banco Central.
O superávit primário do setor público acumulado entre janeiro e maio ficou em R$ 75 bilhões. O valor é equivalente a 6,55% do PIB (Produto Interno Bruto) do período.
A arrecadação de impostos e contribuições acima do previsto foi a principal responsável pelo aumento do superávit em relação ao mesmo período de 2007, quando estava em R$ 60 bilhões.
O setor público é formado pela União, Estados, municípios e estatais. Juntos, precisam fazer uma economia equivalente a 3,8% do PIB, mais 0,5% para o Fundo Soberano do Brasil. Nos 12 meses encerrados em abril, o superávit primário está em 4,34% (R$ 116,5 bilhões).
Na comparação entre abril e maio houve uma queda no superávit primário, que passou de R$ 18,7 bilhões para R$ 13,2 bilhões.
O maior responsável pela queda foi o governo federal, cujo superávit caiu de R$ 16,8 bilhões para R$ 4,9 bilhões nessa comparação. Já as estatais foram destaque: de R$ 608 milhões para 4,6 bilhões. Estados e municípios aumentaram sua contribuição mensal de R$ 2,46 bilhões para R$ 3,7 bilhões.
Sobra
A economia do governo com o superávit primário superou o valor utilizado para pagar os juros da dívida no ano. Nos cinco primeiros meses de 2008, o pagamento de juros foi de R$ 71 bilhões. Descontado o superávit de R$ 75 bilhões, houve uma sobra de R$ 4 bilhões (chamado de superávit nominal), equivalente a 0,34% do PIB.