09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Operação Zeca Pagodinho


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O major da Polícia Militar Ricardo Fernandes de Barros, comandante interino do trigésimo quarto Batalhão de Trânsito da cidade de São Paulo, afirmou que policiais à paisana estarão em bares e lanchonetes de happy hour para saberem se alguém que deixar o estabelecimento, depois de tomar uma cervejinha ou choppinho, tentará pegar o carro. Tal aitude se deve às novas regras de trânsito no tocante ao alcoolismo no volante.

Olha, toda medida legal que vise impedir o excesso de bebida misturado com o volante é absolutamente bem-vinda, mesmo porque 60% dos acidentes graves e letais ocorridos no trânsito tinham a presença de motoristas bêbados e que deveriam ter sidos presos. Também é necessário e urgente que se proibam as propagandas de cervejas no horário nobre. Propagandas essas que colocam as mulheres como simples objeto sexual e que também passam para os mais jovens a sensação de uma discutível liberdade e falso poder.

Todo aparato de controle destas transgressões graves de trânsito no quesito de alcoolismo deve ser recebido como benéfico para o conjunto da sociedade. Na nova Lei, prevê-se que o motorista suspeito deve passar pelo teste do bafômetro e, se possível, por uma análise clinica de um profissional médico. No entanto, a nossa Constituição Federal afirma que “ninguém é obrigado a fazer prova contra si próprio, ou seja, os nossos legisladores terão que resolver o mais rápido possível este conflito de normas. Embora a Constituição seja a Lei Maior.

Mas daí a colocar policiais à paisana em lanchonetes e botequins para verem quem esta bebendo, como alertou o comandante paulistano, aí já existe um certo exagero. As nossas autoridades e legisladores precisam encontrar um ponto de equilíbrio entre a educação e a punição. Porque esta Lei deve resolver o problema de alcoolismo no trânsito e jamais se transformar numa espécie de vingança particular de alguns policiais contra cidadãos. E tambem de cidadãos contra cidadãos usando a polícia como muleta psicológica.

Creio que não está sobrando contigente policial para este tipo de investigação ou “Operação Zeca Pagodinho” (sugestão minha) em bares e botequins. Porque se tiver, por que não colocar muitos destes policiais nas portas das escolas estaduais, municipais e até nas particulares, para darem segurança aos nossos alunos, funcionários e professores? Ou nas ruas, nos grandes centros urbanos e nas favelas, para darem segurança ao povo?

Pedro Valentim