09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ensino público: até quando?


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Já havia lido na Folha de São Paulo (20/6/08) na coluna - Tendências/Debates - o artigo “Falando de Educação”, de autoria de Roberto Teixeira da Costa, membro do movimento - Todos pela Educação -, comentando estudo da consultoria Mcknsey sobre educação no mundo. No JC (26/6, pág. 2) deparei-me com o artigo “Professor X computador”, de autoria do professor Pedro Grava Zanotelli, ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalista de Bauru, focalizando numa oportuna e brilhante análise o artigo referido.

O professor Grava Zanotelli inicia ressaltando: “A melhoria da educação ou do ensino é um assunto recorrente. A cada aspecto do Brasil que se comenta, como dificuldade para deixar de ser um país em desenvolvimento e tornar-se em país desenvolvido, alto índice de criminalidade ou os próprios resultados negativos dos exames aplicados pelo MEC, a recomendações sempre é que é preciso investir mais em educação. É necessário melhorar a educação para melhorar o país. Mas o que fazer para melhorar a educação?", pergunta Zanotelli, prosseguindo seu artigo.

A introdução e todo o artigo do professor Pedro me faz invocar em paralelo o artigo “A crise na Educação”, publicado no JC (22/6/08, pág. 2) do eminente médico, deputado fedaral professor emérito da USP e da Unicamp, José Aristodemo Pinotti, ex-secretário da Educação e da Saúde do Estado de São Paulo, e ex-reitor da Unicamp. Com todo esse admirável curriculum vitae, José Aristodemo Pinotti afirma: “A crise na Educação Brasileira é muito mais grave e profunda do que na Saúde. Quando comparada com o resto do mundo, temos a pior Educação, segundo o teste de Pisa. Dos nossos alunos do ensino público fundamental, 4% tem um aproveitamento adequado e mais de 50% estão em situação crítica ou muito crítica, mais de 20% deles (no terceiro e quarto anos) ainda não sabem ler e escrever”. Para resolver a grave crise na Educação, o professor Pinotti apresenta propostas, das quais destaco: a)-Em primeiro lugar, dando prioridadea Educação na prática e não só no discurso, como a maioria dos governos faz; b)- Valorizar o professor de diversas formas: do ponto de vista salarial, social e melhoriando suas condições de trabalho.

Os professores da rede do ensino público estadual paulista estão em greve desde o dia l8 de junho. As seis entidades de classe do magistério antes da decretação da greve solicitaram audiência ao governador José Serra. Audiência não concedida. Como se constata pelos artigos mencionados, é contrastante a situação gravíssima em que se encontra o ensino público com a indiferença do sr. governador do Estado. Até quando transformar os profissionais do ensino em bode-expiatório do descalabro do ensino público? Só a educação povo com escolas púbicas com padrão de qualidade, com professores valorizados e bem pagos, pode levar o Brasil ao progresso.

Rodolpho Pereira Lima