10 de julho de 2026
Nacional

Justiça aceita denúncia contra militares

Por Raphael Gomide | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio de Janeiro - A Justiça Federal aceitou ontem denúncia do Ministério Público Federal por três homicídios triplamente qualificados contra os 11 militares acusados de ter entregue três jovens do morro da Providência para traficantes da favela da Mineira, controlada por facção rival. O Exército atuava na comunidade por causa do projeto Cimento Social, do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ).

Wellington Gonzaga Ferreira, David Wilson da Silva e Marcos Paulo Campos foram torturados e assassinados com 46 tiros, em 14 de junho passado, após terem sido detidos depois de suposto desacato aos militares, que desrespeitaram ordem de soltá-los, dada por um capitão. O tenente Vinícius Ghidetti de Moraes Andrade era o comandante do grupo.

Um grupo de quatro procuradores da República acusou cada militar por três homicídios triplamente qualificados, porque foram cometidos cruelmente, sem possibilidade de defesa e por motivo torpe. A pena para cada réu varia de 12 a 30 anos.

“Todos sabiam que os rapazes tinham se desentendido com o tenente, ouviram do oficial que ele queria pichar os jovens com a sigla “CV’ (Comando Vermelho, facção inimiga) e que estavam levando os rapazes para um morro”, afirmou a procuradora da República Patrícia Núñez Weber.

O Ministério Público Federal pediu acesso ao Inquérito Policial Militar (IPM) e a quebra dos sigilos telefônicos dos acusados para identificar se houve algum contato prévio entre os militares e os traficantes da Mineira. Segundo o MPF, os militares “entraram em zona hostil de forma amistosa e chegaram a conversar tranqüilamente com um integrante da facção antes de entregarem as vítimas.

“Demonstramos a participação de cada um dos denunciados na barbárie. Nosso objetivo é que através do processo penal consigamos a responsabilização dos denunciados, na exata medida de suas culpabilidades, a fim de que a flagrante ofensa cometida aos direitos humanos não fique impune’’, disse a procuradora.

O advogado Valmar de Jesus, que defende o sargento Leandro Maia Bueno e o soldado Rafael Cunha da Costa Sá, afirmou no início da noite que preferia não comentar a denúncia porque ainda não a tinha lido. A reportagem não conseguiu contato com os demais advogados dos militares.