09 de julho de 2026
Internacional

Iraque abrirá exploração de petróleo para os estrangeiros

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Bagdá - O Ministério do Petróleo iraquiano anunciou ontem duas decisões favoráveis à exploração de suas reservas petrolíferas por empresas estrangeiras. A primeira se refere à exploração de seis campos com reservas asseguradas. Para eles, foram pré-qualificadas 41 companhias. Elas terão contrato de exploração de longo prazo.

A segunda decisão, que ainda depende de negociações, envolve quatro ou cinco grandes operadoras do setor, que receberão cartas-convites para prestar serviços em instalações já em operação. No caso, as empresas não teriam o controle sobre o combustível extraído, assinariam um contrato de um ano - de início, seriam dois anos -, mas estariam em melhor posição para, depois desse período, disputarem essas áreas com suas concorrentes.

Há em meio a isso três questões, amplamente abordadas anteontem. A primeira, citada pelo ministro do Petróleo, Hussein Shahristani, está na disposição do Iraque de passar até 2013 sua produção diária de 2,5 milhões para 4,5 milhões de barris. Só as empresas com cartas-convites permitiriam um salto de 500 mil barris.

O segundo problema está na inexistência de uma Lei dos Hidrocarbonetos. O projeto redigido pelo governo no ano passado está engavetado no Parlamento, em razão de divergências entre grupos étnicos sobre a repartição da renda do petróleo. O critério geográfico favorece os xiitas em detrimento dos sunitas, enquanto os curdos querem autonomia para fechar seus próprios contratos.

As novidades têm como pano de fundo a suspeita do mundo árabe e entre os próprios iraquianos de que os Estados Unidos invadiram o país em 2003 de olho em suas reservas de petróleo. Mas os mecanismos ontem anunciados não beneficiam apenas petrolíferas americanas ou britânicas, os dois principais países invasores.

As empresas cogitadas para as cartas-convites são a anglo-holandesa Shell, uma parceria dela com a BHP Billiton, a British Petroleum, as americanas Exxon Mobil e Chevron, em parceria com a francesa Total. O presidente da Shell, Jeroen Veer, disse ao “Financial Times” que o acordo poderá ser assinado dentro de algumas semanas.