09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Inflação pressiona o setor de serviços

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Há alguns anos, a inflação era o último assunto tratado entre empresários e autoridades. Com a estabilidade da economia, o tema não era motivo de preocupação. Agora, o assunto voltou à tona e setores como o de serviços já demonstram os reflexos de alguns reajustes.

De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de junho, os alimentos subiram em média 2,3%, bem acima do resultado de 1,26% registrado em maio. As carnes ficaram cerca de 5,35% mais caras. Aumentos ainda maiores foram observados nos preços do arroz (17,09%) e da batata, em média 16,79%. Tomate, macarrão, sucos e até o pãozinho contribuíram para o consumidor gastar mais com as compras do dia-a-dia.

O vilão que insiste em ser o responsável pelo aumento de preços recai agora sobre o setor de serviços. E as mulheres são as que mais têm motivos para reclamar. Estão mais caros os serviços de manicures, cabeleireira e depiladora.

As “matérias-primas” utilizadas para esses trabalhos aumentaram e os profissionais liberais foram obrigados a se adequar aos novos valores. Diante da instabilidade da profissão, no entanto, muitos arcam com os prejuízos para não perder a preferência dos clientes.

É o caso da cabeleireira Nilce Batista Garcia de Oliveira. Ela afirma que cosméticos como xampu e tinta sofreram reajuste entre 20% e 30%. Dependendo da marca, a tinta que há dois meses custava R$ 12,00, sai agora por R$ 18,00. O aumento do esmalte foi de até R$ 0,25 por unidade, passando de R$ 1,70 para R$ 1,95.

Para diminuir o impacto da inflação no bolso dos clientes, Nilce tomou uma medida radical. “Reduzi meu faturamento”, explica. Ela diz que, como o salário dos clientes não subiu na mesma proporção, teve que assumir o prejuízo. O trabalho informal foi apontado como o outro motivo para evitar o reajuste. “É diferente de quando o supermercado aumenta o preço, que é um serviço essencial”, alega.

Instabilidade

A instabilidade da profissão também atingiu em cheio a depiladora Roseli Aparecida Duque. Segundo ela, o gasto com produtos básicos não cobre totalmente os custos do serviço, porém, ela admite que é preferível arcar com o prejuízo a perder clientes. Houve aumento nos preços da cera e do papel. “Esse ano foi muito puxado”, diz.

Uma depilação que custava R$ 20,00 e incluía perna, virilha e axila, está atualmente R$ 5,00 mais cara. “Também há o gasto com transporte”, diz ela, que atende em domicílio.

De acordo com Roseli, o movimento continua estável em razão da condição financeira confortável da maioria de suas clientes. Cuidar das unhas dos pés e das mãos no salão de beleza onde ela trabalha também está mais caro: subiu de R$ 23,00 para R$ 25,00.

Proprietário de uma oficina mecânica, Fernando César Guedes afirma que, a partir do novo sistema tributário aplicado em maio, as distribuidoras com as quais trabalha estão vendendo mercadorias mais caras.

“Eu não tive que aumentar, a verdade é que aumentou para mim, quando compro do distribuidor. Isso não foi um aumento de preço, e sim de tributo, pois o imposto sobre essa mercadoria está mais caro”, observa. Ele não pretende repassar os reajustes para os clientes “até quando a empresa agüentar”.