09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Arroz e feijão elevam preço da cesta

Por Patrícia Zamboni | Com redação
| Tempo de leitura: 4 min

Por mais um mês consecutivo, o preço da cesta básica em Bauru registrou alta. De acordo com pesquisa do Instituto Data-ITE, o valor mínimo encontrado na cidade em junho foi de R$ 233,68, o que significa aumento de 2,5% em relação ao mês anterior. Em maio, o preço mínimo encontrado pela pesquisa foi de R$ 228,06. Três alimentos foram os que mais influenciaram para o resultado de alta da cesta no mês passado: arroz, feijão e leite em pó integral.

Nos últimos 12 meses, a cesta básica acumula alta de 24,9%. Neste período, o grupo alimentação subiu 28,3%, diante de uma inflação média ao consumidor de 6% (dependendo do índice pesquisado). Este grupo apresentou elevação tanto em maio (de 2,55%) quanto em junho (de 2,1%).

O custo da cesta básica também subiu nas 16 Capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

De acordo com o levantamento feito pela equipe do Data-ITE - vinculado à Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino em Bauru -, em junho os outros dois grupos que compõem a cesta básica também tiveram aumento, sendo 6% o de limpeza doméstica e 0,1% o de higiene pessoal.

“O grupo alimentação, depois de registrar elevação em maio, voltou a subir, ficando 2,1% mais caro em junho. Arroz, feijão e leite em pó integral puxaram a alta do mês. Há evidente demonstração de que os preços ainda estão distantes de atingir estabilidade e já se observa ‘contaminação’ em outros produtos. É o caso do grupo limpeza doméstica, que apresentou queda de 1,65% em maio e, no mês de junho, teve alta de 6%”, diz o economista e coordenador do Data-ITE Reinaldo Cafeo.

Peso relativo

De acordo com os resultados do levantamento, dos 31 produtos pesquisados, os que apresentaram as maiores altas de preços considerando seus respectivos pesos na cesta foram arroz (1,63%), feijão (1,40%), leite em pó integral (1,23%), sabão em barra (0,90%), ovos (0,69%), batata (0,55%) e margarina (0,53%).

Segundo Cafeo, quando é considerado o peso relativo do produto, está sendo levado em consideração o quanto ele representa no orçamento das famílias.

Já os produtos que tiveram as maiores oscilações de preços entre os supermercados pesquisados - na comparação entre maio e junho - quando são analisadas as altas isoladas foram batata (variação de 58,2%), arroz (39,4%), ovos (30,9%) e margarina (27,6%).

Os itens que tiveram queda de preços e, portanto, puxaram para baixo o valor total da cesta básica foram óleo de soja, macarrão com ovos, queijo mussarela fatiado, papel higiênico, absorvente aderente e alho.

“O consumidor vem reduzindo a demanda por marcas líderes, substituindo por produtos menos conhecidos. Quando o preço é proibitivo, as pessoas têm procurado substituir por produtos que servem para a mesma finalidade. Por exemplo: trocam o arroz pelo macarrão”, aponta o economista.

“A crise de alimentos é mundial. No caso do Brasil, dos 465 itens que compõem o índice oficial de inflação do governo, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), cerca de 70% já observam elevação de preços. Então, podemos indicar que está distante a perspectiva de estabilidade no valor da cesta básica. O máximo que pode ocorrer são ajustes em função da safra e entressafra”, acrescenta Cafeo.

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Papel do consumidor

Na avaliação do economista e coordenador do Data-ITE Reinaldo Cafeo, o consumidor tem papel importante na vigilância dos preços, “dizendo não aos preços abusivos”. Um bom exemplo disso é o que faz todas as semanas a dona de casa Bianca Sanas.

“Eu nunca faço compra do mês para poder aproveitar as promoções durante a semana. Sempre que eu entro no supermercado, já olho o folheto com as promoções e não saio de casa sem verificar os anúncios que saem no jornal. Se você economizar alguns centavos ou R$ 1,00 na maioria dos produtos, vai conseguir reduzir bastante sua conta do supermercado”, ensina.

Em Bauru, o menor valor da cesta básica encontrada em junho na divisão por setores da cidade foi na região oeste: R$ 282,53. Em seguida vieram as regiões sul, com R$ 296,41, leste, com R$ 300,27, Centro, com R$ 307,10, e norte, com R$ 310,52. O preço mínimo de R$ 233,68 só é obtido quando são adquiridos produtos com o menor preço entre os supermercados pesquisados pelo Data-ITE.