10 de julho de 2026
Esportes

Libertadores: LDU ‘enterra’ sonho do título do Flu

Folhapress
| Tempo de leitura: 6 min

Depois de perder por 3 a 1 no tempo normal e empatar na prorrogação sem gols, a LDU venceu o Fluminense nos pênaltis por 3 a 1 e sagrou-se campeã da Taça Libertadores no estádio do Maracanã, no início da madrugada de hoje. Esse é o primeiro título de uma equipe equatoriana na principal competição sul-americana.

Como no jogo de ida em Quito, a Liga Deportiva Universitária tinha vencido o Fluminense por 4 a 2, a equipe veio ao Rio e podia perder por dois gols de diferença que levava a decisão para a prorrogação. E foi o que aconteceu. Na disputa dos pênaltis, o goleiro Cevallos defendeu as cobranças de Conca, Thiago Neves e Washington e assegurou o triunfo equatoriano.

Na Libertadores, a LDU já tinha enfrentado duas vezes o Fluminense na primeira fase. Em Quito, os times tinham empatado por 0 a 0 e, no Rio, a equipe brasileira venceu por 1 a 0. As duas equipes se classificaram, avançaram nos mata-matas, e se encontraram na decisão.

Antes da LDU chegar à final neste ano, apenas o Barcelona de Guayaquil já havia representado o País em decisões da competição. Em 1990, o clube equatoriano foi derrotado na final pelo Olimpia, do Paraguai. O homônimo do clube catalão foi novamente finalista, em 1998, mas caiu diante do Vasco. Diferentemente do Barcelona de Guayaquil, a LDU conseguiu triunfar no momento decisivo. A vitória assegurou a participação no Mundial de Clubes da Fifa, que será disputado no final do ano.

O Fluminense iniciou a partida no ataque. Como Dodô começou no banco de reservas, Thiago Neves e, principalmente, Cícero atuaram perto de Washington, posicionado próximo da área. Logo no início da decisão, a equipe carioca vacilou na defesa e viu a LDU abrir o placar, assustando a torcida no Maracanã. Depois de boa jogada de Guerrón, um dos destaques do time, a bola foi cruzada para Bolaños, que chutou firme e não desperdiçou a oportunidade, aos 6min.

Com apoio da torcida que cantava nas arquibancadas, o time brasileiro não se abalou com o gol sofrido. O Fluminense respondeu, e Washington por pouco não empatou o jogo aos 10min. Superior em campo, a equipe carioca não demorou para igualar o marcador. Thiago Neves driblou o adversário e acertou um forte tiro e fez 1 a 1, aumentando a festa da torcida, aos 12min.

E foi por intermédio de Thiago Neves, que a virada chegou aos 28min. Cícero avançou pela esquerda e cruzou. Bem posicionado, Thiago tocou a bola para a meta da equipe equatoriana. Os dois gols animaram mais os jogadores do Fluminense. Aos 31min, Washington reclamou que foi derrubado na área e queria que o árbitro argentino Héctor Baldassi marcasse o pênalti. No entanto, o juiz entendeu que o duvidoso lance foi normal.

No intervalo, Remato Gaúcho colocou Dodô no lugar de Ygor e deixou a equipe mais ofensiva. Com a alteração, Cícero passou a atuar no meio-campo e Washington ganhou um novo companheiro no ataque. A pressão em busca do terceiro gol continuou forte e Dodô acertou a trave de Cevallos, aos 7min. Cinco minutos depois, Thiago Neves voltou a brilhar. Em cobrança de falta, ele marcou o seu terceiro gol no jogo.

O placar de 3 a 1 levava a partida para a prorrogação, e a LDU cresceu na partida. Aos 24min, o time visitante chutou na trave de Fernando Henrique. No final do jogo, o Fluminense intensificou os ataques, mas não impediu que a partida fosse para a prorrogação. No tempo extra, o jogo ficou equilibrado. Fluminense tentou superar a marcação da LDU pelas alas do campo e com cruzamentos na área. A LDU trocou passes na intermediária e tentou “esfriar” a partida.

Aos 11min do segundo tempo da prorrogação, o atacante Bieler, da LDU, faz de cabeça o gol, mas o juiz errou ao anular o lance com a alegação de impedimento. Três minutos depois, Luiz Alberto foi expulso ao fazer falta e parar um contra-ataque perigoso. A prorrogação acabou 0 a 0 e o titulo foi decidido nos pênaltis.

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Juiz e pênaltis são responsabilizados

Os jogadores do Fluminense atribuíram à má sorte a perda do título da Libertadores. E reclamaram do juiz por supostamente ter favorecido o time equatoriano no Maracanã. “Não dá para fazer nada. Todo mundo lutou muito, brigou. O goleiro é experiente e mandou nas cobranças de pênaltis”, disse o meia Thiago Neves, que chutou fraco no meio do gol.

A diretoria do Fluminense ainda reclamou de um pênalti não marcado sobre Washington. O cartola Branco chegou a interpelar o juiz argentino Héctor Baldassi. Só que também houve um gol para a LDU mal anulado pela arbitragem. Para Dodô, os jogadores fizeram a sua parte ao conseguirem fazer os dois gols de diferença necessários. Ele não quis falar sobre o trauma da derrota.

“Fizemos tudo que o Renato pediu por isso estou tranqüilo. O time fez o que foi pedido”, afirmou o zagueiro Thiago Silva, com cara fechada após a partida. Enquanto isso, Luiz Alberto chorava no banco, sentado, consolado pelo presidente do clube, Roberto Horcades.

Agora, o Fluminense terá dois desafios. Primeiro, manter seus principais jogadores. Há atletas valorizados como Thiago Silva e Thiago Neves, que têm sido convocados para a seleção e são alvos de times europeus. Os dois foram destaques da campanha da equipe no torneio, apesar da falha do último na cobrança de pênaltis.

Antes da final, seus empresários e a diretoria do clube carioca garantiam que eles ficariam no Brasil, caso fosse conquistado o torneio continental. Com a derrota, dificilmente eles continuarão no País.

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Renato vive novo ‘inferno astral’

Vencedor da Libertadores de 1983 com o Grêmio, quando era ponta-direita, Renato quase se tornou o primeiro brasileiro campeão da Libertadores como jogador e como técnico. Infelizmente, ontem, no Maracanã, voltou ao ponto zero de sua carreira na prancheta.

Em 1996, sem condições de entrar em campo, foi o jogador que assumiu o comando da equipe para tentar salvá-la do descenso. À época já era bravateiro: disse que, se o Fluminense caísse, ia andar pelado em Ipanema. Caiu, não cumpriu, mas uma manobra nos bastidores recolocou o time na elite.

Uns o acham arrogante; outros, um incansável e rigoroso motivador. A verdade é que o técnico do Fluminense demonstrou na final da Libertadores que atingiu um enorme amadurecimento emocional. Na final da Copa do Brasil, em que seu Vasco venceu o Flamengo, ficou marcado pelo destempero com que mandou para o vestiário o expulso Valdir Papel, aos empurrões. Parecia querer voltar a caçar chuteiras e mostrar como se vence.

Ontem, teve paciência. Na prorrogação, pediu calma e toque de bola ao seu time. Vibrava à margem, não “queimou” os jogadores nem perdeu a voz, como era comum antes. Nos pênaltis, foi sereno. Se tivesse vencido, Renato aumentaria sua identificação com o Fluminense, clube do qual foi o último herói antes da era Unimed - que injetou grandes somas de dinheiro no clube e o reforçou com estrelas. Em 1995, quando fez o gol de barriga da virada histórica no Estadual de 1995, sobre o Flamengo, era “Ame o Rio” o que se estampava na camisa tricolor.

Agora, Renato terá de renovar um time abatido. Com três pontos, o Fluminense enfrenta o Goiás fora do Rio, como lanterna e com o amargo gosto de ter estado a duas partidas de conquistar o mundo.