11 de julho de 2026
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A carne brasileira vai alimentar o mundo


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Pelas contas da FAO, a oferta de carne bovina em 2008 atingirá o recorde de 68 milhões de toneladas. Há uma década, a produção mundial era de 50 milhões de toneladas. No mesmo período, a economia mundial cresceu mais de 20% e a população ganhou mais de 300 milhões de pessoas. O resultado é implacável: a disponibilidade de proteína vermelha já não está conseguindo atender à demanda do planeta, apesar de todo o ganho de escala e em produtividade.

E esse não é um sintoma exclusivo da pecuária de corte. O mesmo acontece com o leite, a carne de frango e de suínos, o milho, a soja... Conclusão da própria FAO: em cinco anos, a produção mundial de alimentos de origem animal e vegetal e o consumo global estarão nos mesmos níveis. Ou seja: chegou ao fim a era do alimento farto e barato.

Esse cenário pode ser analisado sob vários parâmetros. Em termos gerais, é claramente preocupante e pode suscitar uma série de movimentos reacionários em todo o mundo. Há, também, um aspecto fundamental: a pecuária não disputa os alimentos com os seres humanos. O gado brasileiro consome capim e não grãos, deixando milho e soja para a demanda da população.

Especificamente na carne bovina, nossos avanços têm sido claros. Há uma década, produzíamos 6,5 milhões de toneladas por ano; em 2008, superaremos a barreira das 10 milhões de toneladas. A taxa de abate saltou de 22% para mais de 25% no período, o que significa que os animais ficam prontos para o frigorífico mais cedo.

No entanto, se vamos bem em algumas áreas, continuamos pecando dentro e fora das porteiras. A imagem internacional negativa por conta de problemas sanitários e ambientais é apenas um dos vários problemas que envolvem a logística, a fiscalização ineficiente, a falta de força política das organizações, a rastreabilidade precária, e outros. Como resultado, a pecuária brasileira é uma fantástica atividade de extremos. A diferença entre as ilhas de tecnologia e a criação de subsistência é impressionante. Ao mesmo tempo que temos animais prontos para o abate aos 18 meses, temos gado com mais de 60 meses ainda nas propriedades.

São todas essas características que impulsionam a atividade, negócio presente em mais de 5 milhões propriedades brasileiras. Cumpre apenas a nós, os agentes da cadeia, trabalhar em conjunto para vencer os obstáculos, intensificar os ganhos e contribuir ainda mais para aplacar as necessidades de proteína vermelha do mundo.

O autor, Ian Hill, é diretor da Agropecuária Jacarezinho - Valparaíso-SP e Cotegipe-BA