10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Greve na educação pública: aula de cidadania


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No início do mês passado havia postado uma nota aqui nesta tribuna anunciando o retorno da filosofia e sociologia como “novas” disciplinas no ensino médio (público e privado) em todo o país. Nesta época, anunciei também a “possibilidade” da greve na educação estadual (que veio a ser iniciada em 13/06). Abordava, ainda, que todos estes “conflitos” por melhorias na educação pública faziam parte de batalhas de uma guerra, aparentemente, sem fim.

Qual leitor deste jornal não se recorda do “fechamento” da EE Rodrigues de Abreu no final de 2005? Escola tradicional, localizada no centro de Bauru, próxima ao Senai. Muitas foram as objeções contra o fechamento desta escola por parte dos funcionários, alunos e população em geral e pouquíssimas [e com fundamentação político-partidária] foram as justificativas por parte da Diretoria de Ensino e, consequentemente, da Secretaria Estadual de Educação.

Cabe lembrar que o antigo CEFAM estava, na época, sendo desativado e deixando mais um espaço público ocioso. Hoje, na extinta EE Rodrigues de Abreu, funciona o Centro Paula Souza, “revolucionando” a educação de Bauru e região [acredito que até as universidades estejam com “medo” de perder seus alunos que “possivelmente” migrarão do Ensino Superior ao Ensino Técnico].

Meu intento nesta nota é colocar a público, mais uma vez, que o ensino público passa por uma crise que, aliás, não é novidade a ninguém. Todavia, esta crise está sendo desmascarada pela greve do profissionais da educação do Estado de São Paulo. O governo de nosso estado brinca de educar: são decretos sobre decretos [lembrando até o regime militar em seus Atos Institucionais], calúnias contra os profissionais da educação constantes, engessamento da liberdade de cátedra impondo a cartilha de como e o que ensinar [lembrando a todos que para o governo de SP, em sua cartilha, “encino” se escreve com “c”], sem contar a privação à vida “proibindo/restringindo” os trabalhadores a irem às consultas médicas, dentre outros fatos.

A greve desvela aquilo que todos sentem: a necessidade de mudanças. Mas não “mudanças cosméticas” justificando para a mídia o que “foi feito” pela educação estadual em quatro anos. Os profissionais da educação querem mudanças, porém mudanças que valorizem a todos (alunos, comunidade, profissionais em geral) e não apenas a supostos candidatos à presidência. A aula de cidadania não acontece apenas em sala de aula. Infelizmente, o que foi feito contra o “fechamento” da EE Rodrigues de Abreu (passeatas, abaixo-assinado, encaminhamentos públicos, etc) não teve o resultado esperado. Porém, a greve legítima da educação estadual faz ressoar o convite à uma nova aula de cidadania. Esta aula recomeçou na rua, pois a greve ainda continua!

Sérgio da Costa Bortolim - RG 30.967.255-7