08 de julho de 2026
Nacional

Prêmio Multishow sem novidades

Por Leandro Fortino | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O Prêmio Multishow de Música Brasileira chegou à sua 15.ª edição, na noite de anteontem, com os conflitos de um adolescente nessa idade. Entre os indicados, poucos artistas novos e várias figuras manjadas de suas edições anteriores deram aquela sensação de “já vi esse filme”.

E viu mesmo. Mais uma vez Ivete Sangalo foi a grande premiada da noite (melhor cantora e DVD, o “Ao Vivo no Maracanã”), mais uma vez Vanessa da Mata levou melhor música (“Boa Sorte/ Good Luck”). Os únicos que nunca haviam levado nenhum prêmio do canal pago foram, obviamente, os indicados a artista revelação. A banda Strike saiu vitoriosa nessa categoria, que foi abocanhada no ano passado pelo fenômeno fonográfico NX Zero.

A banda paulista conquistou os prêmios de melhor grupo e, pasmem, melhor cantor, para Di Ferrero, desbancando medalhões como Caetano Veloso.

É claro que não se pode desconsiderar o fato de que todos os artistas foram indicados e escolhidos pelos espectadores do Multishow. Mas entregar a decisão aos fãs dos artistas dá no que deu: só os grandes vendedores de CDs, sem surpresas, levaram as estatuetas.

Neste ano a festa foi comandada por Lázaro Ramos, que correspondeu bem à tarefa de entreter a platéia durante os intervalos da transmissão.

Boas idéias surgiram e foram bem exploradas. Interpretando “Fullgás”, os indicados ao prêmio revelação dividiram o microfone para interpretar o hit de Marina (o resultado foi bem melhor que a patética homenagem a Lulu Santos). “Eu mereço”, afirmou, sem modéstia, o cantor em decadência.

Também funcionou a piada de colocar sósias das indicadas a melhor cantora escondidas no meio da platéia (a drag queen escolhida para ser Ana Carolina roubou o show).

Talvez o maior problema do evento foram os apresentadores de prêmios, todos supercariocas. Em uma festa para a música brasileira, faltaram sotaques regionais. E, pior, sem roteiro, eles não falaram nada de interessante. Essa total falta de assunto mostra que a nossa música precisa de gente nova. E, se depender novamente da votação popular, muito pouco deverá mudar em 2009.