08 de julho de 2026
Internacional

Betancourt e mais 14 reféns são soltos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Bogotá - O Exército colombiano resgatou ontem a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt e outros 14 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), entre eles três norte-americanos. Ingrid estava em poder das Farc desde 23 de fevereiro de 2002 e era uma espécie de símbolo dos reféns da guerrilha, tendo motivado marchas ao redor do mundo e gestões de diferentes chefes de Estado em prol de sua libertação.

O anúncio da libertação de Ingrid e dos demais foi feito pelo ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, por volta das 14h10 de ontem (16h10 de Brasília). “Foram resgatados sãos e salvos 15 dos seqüestrados das Farc. Entre eles estão Ingrid Betancourt, os três cidadãos norte-americanos e 11 membros de nossa força pública.”

O resgate, ocorrido a cerca de 70 quilômetros ao sul da cidade de San José de Guaviare (no departamento de Guaviare, centro), foi fruto de uma operação de inteligência do Exército colombiano e ocorreu sem o disparo de nenhum tiro.

De acordo com Santos, os serviços de inteligência do Exército conseguiram se infiltrar nas Farc. “Como os seqüestrados estavam divididos em três grupos, conseguimos que eles fossem reunidos num só lugar e se permitisse seu transporte ao sul do país para que supostamente passassem diretamente às ordens de Alfonso Cano (chefe da guerrilha).”

“Coordenamos para que os seqüestrados fossem recolhidos num local predeterminado por um helicóptero de uma organização fictícia”, continuou. Só que o helicóptero, explicou Santos, na realidade era do Exército tripulado por pessoal da inteligência, e voou para San José de Guaviare.

A própria Ingrid, que se reuniu com a mãe e o marido no aeroporto de Bogotá no fim da tarde de ontem, deu detalhes da libertação. Segundo ela, alguns dos militares que se fizeram passar por guerrilheiros usavam camisas com imagens de Che Guevara. “Eles falavam como guerrilheiros e se vestiam como tais.”

Segundo a ex-candidata, nem ela nem os guerrilheiros reais suspeitaram da operação em nenhum momento. Os reféns só souberam do resgate dentro do helicóptero, quando um dos militares disfarçados gritou: “Somos o Exército da Colômbia, vocês estão livres”.

Ingrid qualificou seu resgate de “golpe fulminante” para as Farc, que ela vê enfraquecidas.

O resgate de ontem é o mais duro entre os recentes golpes sofridos pelas Farc, mais antiga guerrilha em atuação na América Latina. Em março, o Exército colombiano atacou um acampamento da guerrilha no Equador, matando o número dois da organização, Raúl Reyes. Dias depois, foi morto outro membro do secretariado da guerrilha, Ivan Ríos.

Meses depois, o governo anunciou a morte do cabeça da guerrilha, Manuel Marulanda, o Tirofijo -as Farc dizem que as causas foram naturais, mas a Colômbia levantou a hipótese de que ela tenha ocorrido devido às operações que as Forças Armadas realizaram na área onde ele se escondia.

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi alvo de intensas críticas e pressões internacionais para que aceitasse as exigências das Farc para a libertação de reféns -a principal delas sendo a completa desmilitarização das áreas dos municípios de Pradera e Florida (oeste). Uribe resistiu e apostou no caminho de suas operações militares. “Esta operação, que se denominou Xeque, não tem precedentes e demonstra quão altos são a qualidade e o profissionalismo das Forças Armadas colombianas”, disse ontem o ministro Santos.

Além de Ingrid, foram libertados os norte-americanos Thomas Howes, Keith Stansell e Marc Gonsalves, seqüestrados em 2003. Eles trabalhavam para uma firma contratada pelo Departamento de Defesa dos EUA para levantar informações sobre plantações de droga.

Com o resgate dos 15 reféns, restam agora em poder das Farc 24 reféns políticos - aqueles que são alvo de barganha com o governo da guerrilha, que quer a libertação de cerca de 500 guerrilheiros presos.