Por quatro votos a três, o júri realizado ontem no Fórum de Bauru condenou a 12 anos de prisão Claudinei Alexandre de Campos Conchinel. Ele desferiu três tiros contra o empacotador Luiz Fernando da Silva Rocha, assassinado em 2003. Na época, ambos trabalhavam juntos num supermercado da cidade.
Para os jurados, o réu deve responder por homicídio duplamente qualificado, conforme defendeu o promotor João Henrique Ferreira. Na avaliação do Ministério Público (MP), Conchinel agiu por motivo fútil e em situação que dificultou a defesa da vítima. O corpo de Rocha foi encontrado em processo de decomposição, em meio a um capinzal no quilômetro 352 da rodovia Bauru-Iacanga.
A avaliação do promotor, porém, é contestada pelo advogado do réu, Paulo Roberto Ramos. Ele vai interpor recurso de apelação ao Tribunal de Justiça (TJ) em São Paulo. Para a defesa, o motivo fútil e a dificuldade de defesa da vítima não ficaram comprovadas no processo. Ramos argumenta que Conchinel agiu sob violenta emoção, pois estava sendo ameaçado pela vítima por conta de empréstimo financeiro.
Como estava em liberdade, aguardará o recurso também em liberdade. Ainda assim, quando a sentença foi proferida pelo juiz da 1.ª Vara Criminal de Bauru, Benedito Okuno, a mãe, mulher, irmã e o pai de Conchinel ficaram emocionalmente abalados e choraram no plenário. Em 2003, a polícia chegou até ele, que trabalhava como repositor de frios, porque Rocha foi visto pela última vez em sua companhia.
Às vésperas do Ano Novo, a família da vítima registrou seu desaparecimento. Pela placa, os policiais chegaram ao réu. No carro dele, um Ford Fiesta, encontraram vestígios de sangue, além do relógio do empacotador, que estava sob o banco. Assim que foi preso (situação que perdurou por cinco meses), Conchinel informou onde havia deixado o corpo e a arma do crime.